O Que é o Sistema RUS-PAT?

Primeiramente, é essencial entender a inovação por trás do nome. O RUS-PAT é uma fusão de duas técnicas avançadas de imageamento: a Tomografia Ultrassônica Rotacional (Rust) e a Tomografia Fotoacústica (PAT). Enquanto a primeira utiliza um arco de detectores para criar imagens volumétricas em 3D dos tecidos, a segunda direciona pulsos de laser para mapear com precisão os vasos sanguíneos. A integração das duas permite um mapeamento simultâneo e rico em detalhes.

Principais Características do RUS-PAT:

  • Velocidade: Gera imagens 3D em cerca de 10 segundos.
  • Profundidade: Capaz de imagear regiões com até 10 centímetros.
  • Segurança: Não utiliza radiação ionizante ou campos magnéticos fortes.
  • Informação: Combina anatomia de tecidos com dados funcionais vasculares.
Fonte: Estudo publicado na Nature Biomedical Engineering.

Vantagens Práticas e Aplicações Clínicas

Além da impressionante rapidez, o novo método apresenta vantagens econômicas e operacionais significativas. Conforme explicam os desenvolvedores, construir um equipamento de RUS-PAT é mais barato do que uma máquina de ressonância magnética. Para o radiologista Vitor Sardenberg, coordenador médico da Dasa RJ, a tecnologia representa um avanço relevante. “Diferente da tomografia e da ressonância, o RUS-PAT não utiliza radiação ionizante nem campo magnético, além de permitir exames rápidos e potencialmente mais acessíveis”, afirma.

No entanto, Sardenberg ressalta que o método é uma ferramenta complementar, e não um substituto para os exames já consagrados. Entre as aplicações mais promissoras, ele destaca:

  1. Diagnóstico de doenças vasculares periféricas.
  2. Avaliação de tumores superficiais na área da oncologia.
  3. Monitoramento da resposta do paciente a tratamentos, tudo sem a necessidade de contraste injetável.

Desafios e Limitações Atuais

Apesar do potencial transformador, ainda existem obstáculos a serem superados antes da incorporação do RUS-PAT na rotina clínica. Um dos principais desafios está na imageagem do cérebro, pois o crânio humano pode distorcer os sinais ultrassônicos e fotoacústicos, dificultando a obtenção de imagens nítidas. A equipe de pesquisa, incluindo Charles Liu, coautor sênior do estudo, já investiga ajustes na frequência do ultrassom para contornar esse problema.

Conforme Liu explicou, outras limitações atuais incluem a profundidade de penetração, demonstrada em até 5 cm para tecidos, e a necessidade de adaptar o sistema para diferentes tamanhos de região do corpo. “Alvos significativamente maiores ou menores exigiriam ajustes adicionais no arco de detecção”, complementa o pesquisador.

Como Funciona a Tecnologia Por Trás das Cenas

Para compreender o salto tecnológico, é útil contrastar com o que já existe. O ultrassom convencional emite ondas sonoras e capta seus ecos para formar imagens bidimensionais em tempo real. Já a tomografia fotoacústica, componente crucial do RUS-PAT, opera de forma diferente: pulsos de laser são absorvidos por estruturas como vasos sanguíneos, causando uma leve expansão térmica que gera ondas ultrassônicas. Estas ondas são então captadas e transformadas em imagens de alta resolução.

Portanto, a grande inovação do RUS-PAT está em executar esses dois processos – o mapeamento estrutural dos tecidos e o mapeamento funcional dos vasos – de forma integrada, rápida e sem riscos associados à radiação. Este avanço pode, no futuro, ampliar drasticamente as possibilidades diagnósticas e de acompanhamento terapêutico, oferecendo uma janela mais segura e acessível para dentro do corpo humano.