Desigualdade de Riqueza Atinge Nível Histórico
Primeiramente, os levantamentos apontam que a concentração de riqueza alcançou seu patamar mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial. Conforme os dados do terceiro trimestre de 2025, o 1% mais rico das famílias americanas controla impressionantes 31,7% da riqueza total do país. Esse montante, equivalente a US$ 55 trilhões, é quase igual à riqueza combinada dos 90% mais pobres.
Distribuição da Riqueza nos EUA (3º Tri 2025):
- 1% mais rico: 31.7% da riqueza total (US$ 55 trilhões)
- Próximos 19%: Percentual significativo, impulsionando 59% do consumo
- 80% mais pobres: Responsáveis por apenas 41% dos gastos do consumidor (recorde de baixa)
O Motor do Consumo e o Risco Iminente
Além disso, essa dinâmica criou o que especialistas chamam de economia em forma de K. Nesse cenário, um braço da letra “K” sobe, representando a prosperidade contínua dos mais ricos, enquanto o outro desce, simbolizando a estagnação ou retrocesso do resto da população. “A economia está se sustentando, por pouco, nas costas dos mais ricos”, adverte Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics.
Portanto, o risco é claro e presente. Uma queda significativa no mercado de ações, onde os mais ricos concentram seus investimentos, poderia retirar o principal suporte do consumo e tornar uma recessão “mais provável do que improvável”, nas palavras de Zandi.
Mercado de Ações: A Chave da Desigualdade
Para começar, é fundamental analisar o papel do mercado de ações nessa equação. Embora 62% dos adultos americanos (cerca de 162 milhões) tenham algum tipo de investimento em ações, a distribuição é profundamente desigual. O 1% mais rico detém mais da metade de todos os papéis. Consequentemente, os ganhos excepcionais do mercado, impulsionados recentemente por investimentos em inteligência artificial, beneficiam desproporcionalmente essa elite.
Por outro lado, as famílias de renda média e baixa têm seu patrimônio majoritariamente atrelado ao valor de suas casas, um mercado que tem apresentado desaceleração no crescimento dos preços.
Crescimento Salarial Desigual e Tensão Social
No entanto, a disparidade não para nos investimentos. Dados do Bank of America mostram um abismo também no crescimento dos salários:
- Famílias de alta renda: Crescimento salarial de 3% (dez/2025).
- Famílias de renda média: Crescimento de 1,5%.
- Famílias de baixa renda: Crescimento de apenas 1,1%.
Da mesma forma, essa realidade econômica ajuda a explicar a deterioração da confiança do consumidor entre a maioria dos americanos. “Existe um grupo enorme de pessoas cujo padrão de vida não mudou”, constata Zandi. “O que cresceu nesse grupo foi só a raiva.” Essa frustração alimenta uma crescente desconexão social e o fortalecimento de visões políticas extremistas.
Conclusão: Uma Base Frágil para o Crescimento
Em resumo, a economia americana construiu uma base de crescimento notavelmente frágil. A dependência excessiva do consumo de uma pequena parcela da população, aliada a níveis históricos de desigualdade, cria um cenário de alto risco. Portanto, qualquer turbulência nos mercados financeiros não é apenas uma questão para investidores, mas uma ameaça real à estabilidade econômica geral. Enquanto os 80% mais pobres enfrentam dívidas crescentes e estagnação, a prosperidade do topo se mostra cada vez mais como o único pilar que impede um colapso mais amplo.
“Se o mercado de ações despencar, o que afetaria os mais ricos, então uma recessão será mais provável do que improvável.”
Mark Zandi, Economista-Chefe da Moody’s Analytics