As Promessas e a Percepção da Economia
Primeiramente, Lula destacou os indicadores econômicos alcançados durante sua gestão. Ele prometeu terminar o mandato com a menor inflação acumulada em um período de quatro anos. “Vamos crescer de novo em 2026”, afirmou o presidente, vinculando a expectativa de crescimento à escolha popular nas urnas.
Entretanto, essa visão otimista contrasta com a percepção de parte da população. Uma pesquisa recente do instituto Genial/Quaest revela que 61% dos entrevistados acreditam que seu poder de compra diminuiu no último ano. Da mesma forma, 58% avaliam que os preços dos alimentos ficaram mais caros.
Dados da Pesquisa de Percepção Econômica:
- 61% sentem redução no poder de compra.
- 58% veem aumento no preço dos alimentos.
- 43% avaliam que a economia piorou.
A Resposta às Tarifas Americanas e a Política Cambial
Além dos números domésticos, o presidente comentou as relações comerciais internacionais. Ele se referiu às tarifas impostas pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump. “Trump nos taxou, mas eu não vou ficar chorando, não vou ficar lamentando. Vou procurar alguém que queira comprar”, declarou, enfatizando uma estratégia de diversificação de parceiros comerciais.
Por outro lado, Lula também falou sobre o câmbio. Ele argumentou que a valorização ou desvalorização do dólar não se resolve apenas com medidas políticas brasileiras, mas com ações dos Estados Unidos. Nesse contexto, ele ressaltou o papel das reservas internacionais do Brasil como um amortecedor para impactos externos.
Outros Temas em Destaque no Discurso
Para além da economia, o discurso incorporou outras bandeiras. O combate à violência contra as mulheres, especialmente o feminicídio, tem sido um tema recorrente. Lula foi enfático: “quem bate em mulher não precisa votar em mim”, posicionando o tema como uma questão de princípio para seu eleitorado.
Outro ponto abordado foi a estrutura do governo. Lula rebateu críticas sobre o número de ministérios, que atualmente é 38, com a possibilidade de chegar a 39. “Quanto menos ministérios você tem, mais incompetente você é”, afirmou, defendendo a necessidade de pastas específicas para tratar de temas complexos, como uma eventual Secretaria de Segurança Pública desmembrada do Ministério da Justiça.
O Cenário Político e as Expectativas
Portanto, as falas do presidente misturam a defesa de resultados passados, a projeção de um futuro próspero e o enfrentamento de desafios imediatos, como as tensões comerciais. A criação de novos ministérios e o foco em pautas sociais parecem alinhados a uma estratégia de campanha que começa a tomar forma.
Em resumo, enquanto projeta crescimento para 2026, o governo busca administrar a percepção pública sobre a economia atual e se adaptar a um cenário internacional mais protecionista, tudo sob o olhar atento do eleitorado.