Um Mercado de 700 Milhões de Consumidores
Para começar, a dimensão do acordo é o seu aspecto mais impactante. Ele estabelece a formação de um bloco econômico com mais de 700 milhões de consumidores, representando aproximadamente 20% do PIB mundial. Inicialmente, essa integração visa eliminar ou reduzir drasticamente as barreiras tarifárias entre os dois blocos. Consequentemente, cria-se um ambiente propício para um fluxo comercial muito mais intenso e diversificado.
Potencial do Acordo: Mercado de 700M+ pessoas | 20% do PIB global | 2º maior cliente do agro brasileiro
O Agronegócio Como Principal Beneficiário
Entretanto, os benefícios não serão distribuídos de forma uniforme. Um setor se destaca com oportunidades multiplicadas: o agronegócio brasileiro. Segundo análise do Insper Agro Global, produtos onde o Brasil possui competitividade natural terão acesso privilegiado.
“Os produtos do agronegócio são os que mais têm oportunidade de adentrar o mercado europeu. Das carnes, das frutas tropicais, do etanol, do açúcar, produtos onde a gente é mais competitivo”, afirma Leandro Gilio, pesquisador do Insper.
Leandro Gilio, Insper Agro Global
Atualmente, a União Europeia já é o segundo maior cliente do agro nacional, com compras que totalizaram US$ 25 bilhões apenas no ano passado. Portanto, a ampliação do acesso, mesmo com mecanismos de controle, representa um avanço significativo.
Mudanças Concretas nas Regras de Exportação
No entanto, é crucial entender que o acesso não será ilimitado. Durante as complexas negociações, produtores europeus manifestaram preocupação, levando à criação de um sistema de cotas para exportações. Da mesma forma, isso significa que, para alguns produtos, apenas um volume específico terá tarifa zero.
Apesar disso, os avanços são reais e mensuráveis. Por exemplo:
- Carnes de Aves: Terão tarifa zero para até 180 mil toneladas produzidas no Mercosul. Atualmente, a cota para frango in natura é de apenas 15 mil toneladas livres de taxa.
- Frutas Tropicais: Produtos como abacate, limão, melão, melancia, maçã e uva de mesa serão isentos de tarifas e sem cota limitada.
O Caminho até a Validade do Acordo
Portanto, após a cerimônia de assinatura, marcada para ocorrer no emblemático Banco Central do Paraguai – o mesmo local do tratado que criou o Mercosul em 1991 –, ainda há etapas críticas. Primeiramente, o texto precisa da aprovação do Parlamento Europeu. Em seguida, deve ser ratificado pelo Congresso Nacional brasileiro e pelos parlamentos dos demais países membros.
Em resumo, este acordo representa muito mais do que um simples tratado comercial. É um novo começo estratégico que posiciona o Brasil e seus parceiros do Mercosul em um patamar global elevado, com potencial para gerar crescimento econômico sustentado, empregos e maior integração com uma das economias mais desenvolvidas do planeta.