O Metabolismo das Estações de Tratamento
Para começar, a solução funciona como um “metabolismo industrial” para as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Inicialmente, microrganismos selecionados aceleram a degradação biológica da matéria orgânica presente no lodo. Conforme explica Carlos Laia, diretor da empresa desenvolvedora, a lógica é simples: menos resíduo gerado internamente significa menos transporte e mais eficiência ambiental. Portanto, a maior parte do ciclo ocorre dentro da própria lagoa ou reator.
Resultado Principal: Transformação da matéria orgânica em gás, água e biomassa estável.
Impacto Direto nas Cidades e no Meio Ambiente
Além disso, os efeitos práticos dessa tecnologia são múltiplos e significativos. Da mesma forma que sistemas simbióticos na natureza cooperam, a redução do lodo cria uma simbiose industrial com os municípios. No entanto, o benefício mais visível é a diminuição do tráfego de caminhões. Consequentemente, há uma redução imediata nas emissões de CO₂ associadas ao transporte dos resíduos para aterros sanitários.
- Redução de Emissões: Menor queima de combustível fóssil no transporte.
- Alívio Orçamentário: Corte de custos operacionais com dragagem e transporte.
- Preservação de Aterros: Menor pressão sobre a capacidade destes locais.
- Segurança: Diminuição do risco ambiental de acidentes com transporte de resíduos.
Eliminando a Necessidade de Dragagens Custosas
Por outro lado, o acúmulo de lodo é um desafio crônico para ETEs de pequeno e médio porte. Quando atinge seu limite, a solução tradicional é a dragagem – um processo caro, complexo e ambientalmente agressivo. Entretanto, ao acelerar a decomposição, a metodologia brasileira retarda ou até elimina a necessidade dessa intervenção. Em resumo, promove uma circularidade dentro do próprio sistema de saneamento.
“Quando reduzimos o lodo dentro da própria estação, estamos aplicando na prática a lógica da ecologia industrial: menos resíduo, menos transporte e mais eficiência ambiental.”
Carlos Laia, Diretor da Legun Biotecnologia
Alinhamento com os Objetivos Globais de Sustentabilidade
Portanto, esta inovação vai além do saneamento local. Ela está diretamente alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. A tecnologia contribui para metas críticas, demonstrando como a biotecnologia nacional apoia a resiliência climática e a eficiência de recursos.
- ODS 6: Água potável e saneamento.
- ODS 7: Energia limpa e acessível.
- ODS 9: Indústria, inovação e infraestrutura.
- ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis.
- ODS 12: Consumo e produção responsáveis.
- ODS 13: Ação contra a mudança global do clima.
Uma Revolução Silenciosa na Infraestrutura Nacional
Finalmente, esta transição representa um avanço decisivo, ainda que pouco divulgado. Aplicada em escala municipal, a solução pode reduzir em até 70% ou 80% o volume original de lodo. Dessa forma, o saneamento deixa de ser visto apenas como tratamento de resíduos e passa a integrar um sistema produtivo, ambiental e climático mais inteligente e circular. Em última análise, prova que a inovação brasileira é capaz de resolver problemas complexos com impacto mensurável.