O Agro Mineiro no Centro das Oportunidades

Primeiramente, o agronegócio emerge como o grande beneficiário imediato do acordo. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) classifica o tratado como um ganho estratégico para o setor. A competitividade internacional do agro mineiro, já reconhecida, deve ser amplificada com o acesso facilitado a um dos mercados consumidores mais ricos do planeta.

“Todo acordo de livre comércio com a Europa é bom para o agro brasileiro. Este é um setor muito competitivo, sustentável economicamente, socialmente e ambientalmente. Teremos vantagens no que diz respeito a poder comercializar sem as barreiras impostas pela União Europeia.”

Antônio de Salvo, Presidente da Faemg

Além disso, produtos como café, um dos carros-chefes de Minas, devem encontrar um caminho mais desimpedido para os consumidores europeus, consolidando a marca do estado no exterior.

Impacto Duplo na Indústria: Eficiência vs. Concorrência

Por outro lado, o cenário para a indústria mineira é mais complexo e apresenta um impacto duplo. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) demonstra otimismo cauteloso, destacando setores com potencial de ganho, como mineração, siderurgia, celulose e autopeças.

No entanto, a entidade alerta para a necessidade de períodos de adaptação e apoio à competitividade, especialmente para segmentos mais sensíveis. Conforme a Fiemg defende, é crucial fortalecer a indústria local para que ela gere empregos e agregue valor, e não seja simplesmente suplantada por importações.

“É fundamental que a implementação considere períodos de adaptação e instrumentos de apoio à competitividade, para que a indústria mineira possa se fortalecer, gerar empregos e agregar valor às exportações.”

Flávio Roscoe, Presidente da Fiemg

Análise Econômica: Os Dois Lados da Moeda

Para o economista Bruno Carazza, doutor pela UFMG, a análise deve separar claramente os efeitos positivos dos negativos. O aspecto mais promissor para a indústria é a possibilidade de importar maquinário, tecnologia e insumos europeus a custos reduzidos, o que pode elevar a produtividade geral das empresas mineiras.

Fluxo Comercial Minas-UE (2024): US$ 9,3 bilhões
Superávit Mineiro: US$ 3,1 bilhões
Principal Destino das Exportações: Ásia (47,2%)
Segundo Destino: União Europeia (20%)

Fonte: Governo de Minas Gerais

Entretanto, existe um lado desafiador. A redução de tarifas também abrirá as portas para produtos europeus acabados competirem diretamente no mercado interno. Setores como alimentício, vestuário, higiene e limpeza podem enfrentar pressão significativa de concorrentes estrangeiros com grande apelo de marca.

Os Números que Definem a Relação Comercial

Portanto, entender a dimensão atual do comércio é essencial. Minas Gerais consolida-se como o terceiro maior exportador brasileiro para a União Europeia. A pauta de exportação é concentrada e robusta:

  • Ferro-ligas e minérios de ferro
  • Celulose
  • Café

Estes três itens foram responsáveis por mais de 80% de tudo que o estado vendeu para o bloco europeu em 2024. Este superávit comercial de US$ 3,1 bilhões demonstra a força mineira em commodities, setor que tende a se fortalecer ainda mais.

Próximos Passos e o Caminho até a Validade

Em resumo, embora a assinatura do texto do acordo seja um marco político crucial, ele ainda não está em vigor. O tratado precisa ser internalizado e aprovado pelos congressos nacionais de todos os países membros do Mercosul, um processo que pode levar tempo e envolver debates acalorados sobre proteção setorial.

Consequentemente, empresas e produtores mineiros têm agora um período valioso para se prepararem, modernizarem processos e desenvolverem estratégias para aproveitar as oportunidades e mitigar os riscos trazidos por este novo capítulo do comércio global.