Uma Dependência Estratégica em Foco
Primeiramente, é crucial entender a dimensão do déficit. Estimativas indicam que o país produz internamente apenas 5% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) necessários. Conforme explica o Ministério da Saúde, essa vulnerabilidade ficou evidente durante a pandemia de Covid-19. A produção de vacinas, como a Coronavac, ficou sujeita à disponibilidade de insumos importados, principalmente da China.
Produção Nacional de IFAs: Apenas 5%
Principal Objetivo da Missão: Transferência de tecnologia
Setor Envolvido: Saúde e indústria farmacêutica
Parcerias Bilionárias para o SUS
Além disso, a missão resultou em acordos concretos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou três parcerias para o desenvolvimento de medicamentos oncológicos. Este acordo representa um investimento potencial de até R$ 10 bilhões pelo Sistema Único de Saúde na próxima década.
Os recursos serão destinados à aquisição de tratamentos para câncer de mama, pele e leucemia. A execução envolve uma colaboração entre empresas privadas brasileiras e indianas, como a Bionovis e a Dr. Reddy’s Laboratories, e instituições públicas, incluindo a Bahiafarma.
Os Principais Benefícios Esperados
- Redução da Dependência: Internalizar a produção de insumos estratégicos.
- Barateamento de Custos: Produzir medicamentos de qualidade a preços mais acessíveis.
- Fortalecimento Industrial: Trazer tecnologia indiana para modernizar o parque produtivo brasileiro.
- Garantia de Abastecimento: Evitar gargalos como os vividos durante emergências sanitárias.
O Papel da Tecnologia Indiana
Por outro lado, a Índia se consolidou como uma potência global no setor farmacêutico, sendo uma das principais fontes de medicamentos e insumos para o mundo. Portanto, a transferência de seu know-how é vista como um caminho rápido para reduzir o atraso tecnológico brasileiro.
Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo Farma Brasil, destacou a importância da iniciativa. “O fato de você, com esses insumos importados, produzir no Brasil, significa que está produzindo medicamentos de grande qualidade e baratos para os brasileiros”, declarou. Ele complementou que as empresas buscam constantemente inovação no exterior para ampliar o acesso da população.
“As empresas têm ido sistematicamente à Índia, à China, obviamente também à Europa e aos Estados Unidos, sempre na busca de oferecer aos brasileiros medicamentos cada vez melhores e que ampliem o acesso da população.”
Reginaldo Arcuri, Presidente do Grupo Farma Brasil
Um Caminho para a Autonomia em Saúde
Consequentemente, a missão à Índia vai além de uma simples visita diplomática. Ela representa um passo estratégico na tentativa de redesenhar a cadeia produtiva da saúde no Brasil. A meta é clara: transformar a atual dependência em uma capacidade produtiva interna robusta e tecnologicamente avançada.
Inicialmente focada em insumos e medicamentos oncológicos, a expectativa é que a parceria possa se expandir para outras áreas, como vacinas e biotecnológicos. O sucesso desta empreitada pode significar, no longo prazo, um Sistema Único de Saúde mais resiliente e uma indústria nacional mais competitiva e inovadora.