O Que É Bitcoin Yield e Por Que Ele Importa
Para começar, é fundamental compreender a métrica que tem ganhado relevância no mercado. O Bitcoin Yield, conforme utilizado pela Méliuz, mede o crescimento percentual no número de bitcoins detidos por cada ação em circulação. Inicialmente, esse indicador serve como um termômetro para avaliar se os acionistas estão, de fato, ampliando sua fatia no ativo digital ao longo do tempo.
Entretanto, a empresa faz uma distinção importante. O Bitcoin Yield Ajustado considera exclusivamente as ações em circulação, desprezando aquelas recompradas pela própria companhia. Portanto, ele oferece uma visão mais pura da exposição por título disponível no mercado. Segundo o comunicado oficial, esse yield ajustado registrou uma alta de 4,38%.
Detalhes da Operação e Posição em Criptomoedas
Além disso, os números concretos revelam a dimensão da estratégia. A recompra envolveu 4,985 milhões de ações, dentro de um programa autorizado em outubro do ano passado. Paralelamente, a Méliuz mantém uma posição substancial em Bitcoin em seu tesouro. Atualmente, a empresa detém 604,69 BTC, que representavam aproximadamente US$ 39,1 milhões (ou R$ 202,5 milhões) na cotação desta segunda-feira.
Posição em Bitcoin: 604,69 unidades
Valor em Dólares: US$ 39,1 milhões
Preço Médio de Aquisição: US$ 103.322,86 por BTC
A Lógica por Trás da Recompra de Ações
No entanto, a pergunta que surge é: por que priorizar a recompra de ações em vez de simplesmente comprar mais Bitcoin? A resposta está na matemática do próprio yield. Conforme explicado por executivos da empresa em novembro, a divisão dos bitcoins por ação pode aumentar de duas formas:
- Aumentando o numerador: Comprando mais unidades de Bitcoin.
- Reduzindo o denominador: Retirando ações de circulação via recompra.
Da mesma forma, em determinado momento, a recompra de ações se mostrou uma operação mais atrativa do que a aquisição de novas criptomoedas para gerar valor ao acionista através desse indicador. A última compra direta de Bitcoin pela Méliuz ocorreu em setembro, quando foram adquiridas 9,01 unidades por R$ 5,5 milhões.
O Cenário Mais Amplo para Empresas com Tesouraria em BTC
Portanto, a estratégia da Méliuz ilustra um movimento mais sofisticado no universo corporativo. Empresas que optam por manter reservas de valor em criptomoedas, como o Bitcoin, precisam gerenciar ativamente esse patrimônio. Consequentemente, métricas como o Bitcoin Yield surgem para traduzir o desempenho desse ativo volátil em termos relevantes para o acionista tradicional.
Em resumo, a manobra não apenas reforça o compromisso da empresa com a classe de ativos digitais, mas também demonstra uma gestão financeira ativa que busca otimizar os resultados para seus investidores. A decisão entre recomprar papéis ou ampliar a posição em criptomoeda passa por uma análise constante de custo-benefício e atratividade de mercado.