O Encontro que Discute o Futuro da Segurança
Para começar, um evento gratuito e aberto ao público coloca este tema em pauta. Inicialmente, a proposta é reunir gestores da segurança, especialistas em direito digital e representantes da sociedade civil. Conforme explica o secretário de Segurança Pública, Victor César dos Santos, a integração de bases de dados estaduais e municipais através do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) já reduziu drasticamente o tempo de resposta das operações.
Dados do Monitoramento: A central estadual tem acesso em tempo real a 32 mil câmeras espalhadas por 23 cidades.
Resultados Práticos e Números Concretos
Por outro lado, os resultados operacionais começam a aparecer em números significativos. Segundo o major Agdan Fernandes, diretor de Infraestruturas de Tecnologia do Centro de Comando da PM, em pouco mais de dois anos, o reconhecimento facial permitiu conquistas importantes:
- Prisões: Cerca de 800 criminosos identificados e capturados.
- Patrimônio: Mais de mil veículos recuperados.
- Pessoas: Localização de mais de 80 desaparecidos.
Da mesma forma, o uso de câmeras corporais pelos policiais tem sido apontado como um fator que contribui para a redução de confrontos e maior transparência nas ações.
O Outro Lado da Moeda: Privacidade e Regulação
No entanto, o avanço tecnológico rápido levanta questões críticas sobre direitos e garantias individuais. Entretanto, especialistas alertam para a necessidade de um marco regulatório sólido. Luca Belli, professor da FGV Direito Rio e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade, observa um vácuo legal preocupante.
“O reconhecimento facial já é usado no Brasil, mas ainda não há lei específica para disciplinar seu uso na segurança pública. É preciso transparência no tratamento de dados biométricos, que são sensíveis. Segurança e direitos não são opostos.”
Luca Belli, Professor da FGV Direito Rio
Apesar disso, a discussão busca equilíbrio. Julia Abad, porta-voz do programa de Direitos Digitais do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), participa do debate para reforçar a importância da proteção de dados da população frente ao monitoramento em larga escala.
Como a Inteligência Artificial Atua na Ponta
Portanto, entender o funcionamento prático é essencial. A inteligência artificial aplicada à segurança não substitui o policial, mas processa grandes volumes de informação de fontes diversas. Consequentemente, transforma esses dados em inteligência aplicada, orientando a atuação policial com mais precisão e agilidade. Sistemas de leitura automática de placas e cruzamento de informações em tempo real são exemplos dessa nova realidade.
Os Próximos Passos e a Necessidade de Diálogo
Em resumo, a revolução tecnológica na segurança pública é um caminho sem volta, repleto de benefícios tangíveis e desafios complexos. A realização de fóruns abertos de discussão é um passo fundamental para construir políticas que sejam ao mesmo tempo eficazes no combate ao crime e rigorosas na defesa das liberdades civis. O futuro da segurança passa, inevitavelmente, pela capacidade de integrar inovação, ética e lei.