Os Números Apresentados na Defesa

Para começar, Ceron comparou períodos distintos da economia nacional. Segundo sua exposição, indicadores fiscais essenciais teriam apresentado desempenho mais favorável entre 2023 e 2025. Ele citou especificamente a trajetória da despesa total, do nível da dívida bruta e do resultado primário. Portanto, a alegação central é que houve uma melhora relativa nas contas públicas no ciclo recente.

Comparativo de Indicadores Fiscais (em % do PIB): Período 2023-2025 vs. 2016-2020.

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Além disso, o secretário argumentou que eventuais melhoras observadas logo após 2020 não decorreram de um ajuste fiscal estrutural. Conforme sua análise, elas foram resultado de um “choque inflacionário” externo, um fator circunstancial que elevou a arrecadação nominal sem necessariamente refletir um fortalecimento da política econômica interna.

O Outro Lado da Moeda: As Críticas Rebatidas

Entretanto, as declarações de Ceron surgem como uma réplica direta a avaliações contrárias. Recentemente, em um fórum de discussão, um ex-secretário da mesma pasta —Mansueto Almeida, que comandou o Tesouro em governos anteriores— projetou um cenário preocupante. Sua tese principal alertava para um crescimento insustentável da dívida pública, prevendo um aumento de dez pontos percentuais durante o atual mandato presidencial.

“Não dá para repetir nos próximos quatro anos o que foi feito nesses quatro anos.”

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual

Da mesma forma, a crítica atribuiu quaisquer melhoras em indicadores macroeconômicos a fatores internacionais favoráveis, e não a políticas domésticas. Mansueto defendeu a necessidade urgente de um ajuste fiscal para evitar o que classificou como um “enorme problema” no futuro.

Além do Déficit: O Contexto Macroecônomico Ampliado

Por outro lado, a defesa da gestão atual não se limitou aos indicadores fiscais puros. Ceron ampliou o debate para incluir outros dados considerados positivos. Ele mencionou a taxa de desemprego, que atinge seu menor patamar histórico, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação controlada e a melhora em índices de pobreza também foram citadas como parte do cenário geral.

  • Desemprego: Em mínima histórica da série.
  • Inflação: Mantida dentro da meta estabelecida.
  • Indicadores Sociais: Melhora em métricas de pobreza e desigualdade.

No entanto, o secretário reconheceu que o trabalho não está completo. Ele afirmou que o governo tem consciência da necessidade de “continuar o processo de recuperação fiscal, que está acontecendo”. A mensagem final reforça a ideia de que, independentemente das visões, o diálogo produtivo deve ser ancorado na análise objetiva de dados e na busca por soluções.


Em resumo, o embate evidencia uma divergência profunda na interpretação dos mesmos fenômenos econômicos. Enquanto um lado enxerga descontrole e riscos futuros, o outro apresenta números para sustentar uma trajetória de recuperação. O desfecho prático dessa discussão técnica terá impacto direto nas decisões de política econômica dos próximos anos.