Investimentos e Encontros na Infraestrutura Blockchain
Primeiramente, os e-mails evidenciam uma relação próxima com Adam Back, CEO da Blockstream e criador do conceito de Proof of Work, mecanismo central do Bitcoin. A correspondência, datada de 2014, discute uma rodada de investimento semente de US$ 18 milhões para a empresa. Em um trecho, o cofundador da Blockstream, Austin Hill, menciona a necessidade de reduzir a participação de outros investidores para abrir espaço para Epstein e Joichi Ito, então diretor do MIT Media Lab.
Contexto: A Blockstream é uma empresa de infraestrutura blockchain fundada em 2014, com foco em sidechains e soluções de escalabilidade para a rede Bitcoin.
Além disso, os arquivos sugerem um nível de familiaridade preocupante. Em uma mensagem de abril de 2014, Austin Hill propõe um encontro com Epstein “na ilha”, uma referência à propriedade privada Little Saint James, nas Ilhas Virgens. Este local é central nas acusações de tráfico e abuso sexual que culminaram na prisão do magnata.
A Ponte para a Coinbase e a Influência no Desenvolvimento
Por outro lado, a rede de conexões se estende a outros nomes influentes. Brock Pierce, cofundador da Tether, é citado quase 1.800 vezes nos documentos. Pierce teria sido o intermediário que apresentou a Epstein a oportunidade de investir US$ 3 milhões na corretora Coinbase em 2014. Este investimento ocorreu anos após Epstein já ter se declarado culpado por crimes relacionados à prostituição em 2008.
No entanto, a revelação mais impactante para a comunidade cripto está em um e-mail de Joichi Ito para Epstein, com o assunto “Iniciativa de Moeda Digital”. Na mensagem de abril de 2015, Ito descreve uma movimentação para assumir influência sobre o desenvolvimento central do Bitcoin. Ele detalha que, após a declaração de falência da Bitcoin Foundation, que financiava os principais desenvolvedores, ele e Epstein agiram rapidamente.
“Agimos rapidamente, conversando com todas as partes interessadas, e os três desenvolvedores decidiram se juntar ao Media Lab. Esta é uma grande vitória para nós”, escreveu Ito.
E-mail de Joichi Ito para Jeffrey Epstein, 25/04/2015
Consequentemente, o MIT Media Lab, sob a direção de Ito, tornou-se a principal fonte de financiamento para a equipe de desenvolvedores centrais do Bitcoin naquele período, incluindo Wladimir van der Laan e Gavin Andresen. A resposta de Epstein ao plano foi concisa: “Gavin é esperto”.
Repercussão e Questionamentos Éticos
Portanto, as revelações causaram um terremoto nas redes sociais e fóruns especializados em criptomoedas. Muitos usuários expressaram choque e indignação ao perceber que, possivelmente, parte do ecossistema que ajudaram a construir foi, em algum momento, influenciado por figuras envolvidas em escândalos criminais graves. A narrativa de um sistema financeiro descentralizado e livre de interferências de elites tradicionais foi abalada.
- Questionamento de Origem: Rumores infundados sobre Epstein ser Satoshi Nakamoto ganharam força, embora sem qualquer evidência técnica ou factual.
- Crise de Confiança: Investidores e entusiastas passaram a questionar a história oficial do desenvolvimento do Bitcoin entre 2014 e 2015.
- Transparência: O caso reacendeu o debate sobre a necessidade de maior transparência no financiamento de projetos de código aberto, mesmo os descentralizados.
Em resumo, os “Epstein Files” não apenas detalham os crimes do financista, mas também mapeiam uma rede de influência que tocava setores de ponta da tecnologia. A intersecção com o mundo das criptomoedas expõe como figuras controversas buscaram se inserir e possivelmente direcionar uma das inovações financeiras mais disruptivas do século XXI, levantando questões éticas que a comunidade ainda precisará enfrentar.