O Patrocínio ao Transumanismo e à Eugenia
Primeiramente, é essencial compreender a visão de mundo que Epstein buscava promover. Ele era um financiador ativo do transumanismo, doutrina que enxerga o ser humano como um projeto inacabado, passível de “melhoramento” através da tecnologia. Para além da teoria, seu apoio tinha um objetivo prático e perturbador: planos eugenistas. Conforme documentado pelo The New York Times, Epstein planejava inseminar 20 mulheres por vez em seu rancho no Novo México, em uma tentativa grotesca de criar o que ele consideraria uma “raça superior”.
Foco do Financiamento: Transumanismo, criogenia, inteligência artificial, estudos sobre consciência.
As Portas Abertas em MIT e Harvard
Além disso, a influência de Epstein se estendeu a algumas das universidades mais prestigiadas do mundo. No MIT Media Lab, o então diretor Joi Ito aceitou doações sigilosas do financista, que era conhecido internamente pelo codinome “Voldemort”. A relação só veio à tona após investigações da imprensa, como as publicadas pelo The New Yorker.
Em Harvard, a inserção foi facilitada por Larry Summers, ex-presidente da universidade. Summers, que posteriormente integraria o conselho da OpenAI, ajudou a canalizar doações de Epstein para pessoas próximas, conforme revelado por emails obtidos pelo The Boston Globe. Esta conexão ilustra como o acesso reputacional era negociado em troca de apoio financeiro.
Figuras Chave Envolvidas
- Joi Ito: Ex-diretor do MIT Media Lab que aceitou doações secretas.
- Joscha Bach: Pesquisador de IA que trocou emails com Epstein expressando visões racistas e simpatia pelo fascismo.
- Marvin Minsky: Pioneiro da IA que participou de eventos na ilha de Epstein e foi posteriormente acusado por uma vítima de tráfico sexual.
- Larry Summers: Ex-presidente de Harvard que atuou como facilitador.
A Conexão com a Indústria de Vigilância e IA
No entanto, a história de Epstein não começa com a ciência, mas com o poder e a vigilância. Antes de seu notório caso criminal, ele foi operador financeiro do traficante de armas Adnan Khashoggi, figura central no escândalo Irã-Contras. Este período coincide com a formação do mercado global de vigilância eletrônica, antecedente direto da moderna indústria de inteligência artificial.
Da mesma forma, essa ligação persiste no presente. A empresa de análise de dados Palantir, fundada por Peter Thiel, é mencionada milhares de vezes na caixa de emails de Epstein. A Palantir fornece tecnologia de vigilância algorítmica usada por agências governamentais, demonstrando a continuidade entre os círculos de poder que Epstein frequentava e as ferramentas de controle social atuais.
“Quando o futuro vale mais do que o presente, qualquer barbaridade se torna um detalhe.”
Álvaro Machado Dias, Folha de S.Paulo
A Ética do Futurismo e os Riscos do Presente
Portanto, surge uma contradição aparente: muitas das vozes que alertam para riscos existenciais abstratos da superinteligência artificial emergiram ou foram toleradas por este ecossistema éticamente comprometido. Consequentemente, há uma coerência subjacente: a priorização de um futuro hipotético e distante pode servir para justificar ou ignorar abusos e desigualdades do presente.
Em resumo, o caso Epstein revela mais do que escândalos individuais; ele expõe as fundações problemáticas sobre as quais parte do debate sobre o futuro da tecnologia foi construído. A caixa de emails pública do financista, disponível online, serve como um arquivo crucial para quem deseja entender essas conexões profundas entre dinheiro, poder, ciência e ética.
Para Investigação Independente
O arquivo completo de emails de Jeffrey Epstein, contendo milhares de mensagens trocadas com figuras globais da tecnologia, política e ciência, pode ser acessado publicamente no site JMail World.