As Origens em um Programa Cancelado

Inicialmente, a base do programa Artemis não é nova. Para começar, seu desenho principal foi estabelecido em 2011, nascido das cinzas do programa Constellation, criado pela NASA em 2005 durante o governo de George W. Bush. Esse programa original, apelidado de “Apollo com esteroides”, visava um retorno à Lua com dois lançadores (Ares 1 e Ares 5), a cápsula Orion e um módulo lunar chamado Altair. Entretanto, problemas de financiamento e uma mudança de prioridades durante a gestão de Barack Obama levaram ao seu cancelamento. Consequentemente, o Congresso americano interveio em 2011 para resgatar elementos-chave, transformando o Ares 5 no SLS e mantendo o desenvolvimento da cápsula Orion.

Linha do Tempo do Programa: 2005 (Constellation) → 2010 (Cancelamento) → 2011 (Ressurreição do SLS/Orion) → 2017 (Nascimento do Artemis) → 2022 (Artemis 1) → 2026 (Planejamento Artemis 2).

Fonte: Histórico de programas espaciais tripulados da NASA

O “Grande Foguete Laranja” e Seus Desafios

Por outro lado, o desenvolvimento do SLS revelou desafios monumentais. Apesar de ser o foguete mais poderoso atualmente em operação, seu custo é astronômico. Segundo relatórios, mais de US$ 30 bilhões foram gastos em seu desenvolvimento, com um custo adicional estimado em US$ 2,5 bilhões por cada lançamento. Além disso, sua tecnologia é considerada obsoleta por muitos especialistas, pois utiliza os mesmos motores RS-25 dos ônibus espaciais, projetados na década de 1970. Da mesma forma, a complexidade de fabricação e operação resulta em um ritmo de voo lento, com otimistas projetando no máximo um lançamento a cada dois anos.

  • Tecnologia: Motores RS-25 herdados dos ônibus espaciais (anos 70).
  • Custo por Lançamento: Aproximadamente US$ 2,5 bilhões.
  • Ritmo Operacional: Extremamente lento, potencialmente um voo bienal.
  • Problemas Recorrentes: Vazamentos de combustível durante os abastecimentos, como visto nos testes para a Artemis 2.

A Corrida Lunar e a Concorrência Emergente

No entanto, o contexto da exploração espacial mudou radicalmente desde a concepção do SLS. Enquanto a NASA avança com sua arquitetura tradicional, empresas privadas desenvolvem alternativas potencialmente mais ágeis e baratas. A SpaceX, por exemplo, trabalha no foguete Starship, muito mais potente e projetado para ser reutilizável. Da mesma forma, a Blue Origin já tem operacional o foguete New Glenn, ligeiramente menos potente que o SLS, mas construído com filosofia comercial. Portanto, muitos analistas acreditam que a arquitetura atual com o SLS pode ser suplantada em futuras missões do programa Artemis, talvez até para a Artemis 3, que planeja o pouso lunar.

O SLS parece ser o caminho mais curto de volta à Lua hoje, mas seu custo e ritmo o tornam uma solução insustentável a longo prazo frente à inovação do setor privado.

Análise de arquitetura de missões espaciais

O Futuro da Cápsula Orion e os Próximos Passos

Apesar das críticas ao foguete, a cápsula Orion, desenvolvida principalmente pela Lockheed Martin com um módulo de serviço europeu, tem um futuro mais promissor. Primeiramente, ela foi projetada para ser parcialmente reutilizável. Além disso, possui a flexibilidade de poder ser lançada por outros foguetes, como o New Glenn, o Vulcan ou o Falcon Heavy, o que pode garantir sua longevidade além do programa SLS. Entretanto, ela também enfrentou contratempos, como o desgaste inesperado do escudo térmico durante a reentrada da missão não-tripulada Artemis 1. A NASA conduziu testes e afirma que, com uma nova trajetória de reentrada, a cápsula está segura para a missão tripulada da Artemis 2.

Os Obstáculos para o Pouso Lunar

Finalmente, o grande objetivo do programa Artemis – um pouso tripulado – ainda enfrenta obstáculos significativos. A NASA marca a Artemis 3 para 2028, mas este prazo é amplamente considerado irrealista. O módulo de pouso (uma versão do Starship) não está pronto, os trajes espaciais para a superfície lunar ainda estão em desenvolvimento e os atrasos no cronograma do SLS são constantes. Em contrapartida, o programa chinês tem como meta um pouso tripulado até 2030. Em resumo, a corrida pela Lua no século XXI está repleta de incertezas, onde tecnologia histórica e inovação disruptiva competem para definir quem dará o próximo grande passo na superfície lunar.