Um Desempenho em Contraste
Desde fevereiro de 2025, o cenário ficou claro. Enquanto o S&P 500 avançou cerca de 16% e o Nasdaq subiu aproximadamente 20%, o Bitcoin acumulou uma queda de cerca de 7%, saindo de US$ 84 mil para a faixa de US$ 79 mil. A diferença mais gritante, no entanto, aparece na comparação com o ouro, que disparou mais de 60% no mesmo período, consolidando novos recordes históricos de preço.
Variação em 12 meses (fev/25 a jan/26):
- Ouro: +60%+
- Nasdaq: +20%
- S&P 500: +16%
- Bitcoin: -7%
A Volatilidade que Diferencia
Inicialmente, a amplitude das oscilações mensais do Bitcoin chama a atenção. A criptomoeda alternou meses de alta expressiva, como abril (+14,2%), com recuos acentuados, como novembro (-17,5%). Da mesma forma, em momentos de estresse de mercado, como entre o pico de outubro (US$ 126 mil) e janeiro, a queda acumulada foi de quase 40%. No entanto, no mesmo intervalo, os índices acionários americanos registraram movimentos bem mais moderados, e o ouro manteve uma trajetória consistente de valorização.
O Fim da Tese do “Ouro Digital”?
Portanto, a ideia do Bitcoin como “ouro digital” – um porto seguro em tempos de incerteza – não se confirmou. Em um cenário marcado por tensões geopolíticas e ruídos fiscais, impulsionado por pressões públicas de figuras como o ex-presidente Donald Trump sobre o Federal Reserve (Fed), foi o metal amarelo quem reforçou seu papel tradicional de reserva de valor. O Bitcoin, por sua vez, não apresentou um desempenho consistente de proteção, reagindo de forma mais próxima a ativos dependentes do fluxo de capital global e do apetite por risco.
Também Não é uma “Ação de Tech”
Por outro lado, a correlação com os principais índices de tecnologia também não foi linear. Houve períodos de alinhamento com S&P 500 e Nasdaq, mas também episódios claros de descasamento. Consequentemente, isso indica que o ativo não se comporta simplesmente como uma “ação de tecnologia”, conforme chegaram a sugerir analistas de grandes instituições financeiras tradicionais.
“Os investidores, principalmente institucionais, estão em uma fase de decisão sobre qual categoria de ativo o Bitcoin deve ser encaixado. Enquanto não houver consenso entre esses players, o BTC vai correlacionar ora com reservas de valor, ora com ativos de risco.”
Rony Szuster, analista-chefe do Mercado Bitcoin
A Busca por uma Identidade Própria
Em resumo, o que os dados mostram é que o Bitcoin, aos 17 anos, está em uma fase crucial de busca por sua identidade no mercado. Mais do que uma ruptura de seus fundamentos originais, os próximos períodos sugerem uma reacomodação de narrativa. À medida que o mercado institucional, citado por analistas do Mercado Bitcoin, amplia sua participação e o debate macroeconômico ganha peso, a criptomoeda testa diferentes funções dentro do portfólio global de investimentos. Seu destino será definido por este consenso em formação.