Faturamento: Avanço Mensal Insuficiente

Para começar, o faturamento da indústria de transformação registrou um aumento de 2,3% em janeiro de 2026 na comparação com o mês anterior, dezembro de 2025. Entretanto, este avanço pontual não reverteu a tendência negativa. Na comparação com janeiro de 2025, o faturamento sofreu uma expressiva queda de 9,7%. Este contraste entre o resultado mensal positivo e o anual negativo ilustra a fragilidade da recuperação.

Indicadores Industriais – Janeiro/2026 vs Janeiro/2025:

  • Faturamento: Queda de 9,7%
  • Horas Trabalhadas: Queda de 2,6%
  • Nível de Emprego: Queda de 0,2%
  • Capacidade Instalada (UCI): Queda de 1,0 ponto percentual
Fonte: Pesquisa Indicadores Industriais da CNI.

Mercado de Trabalho e Capacidade Produtiva

Além disso, outros indicadores acompanharam este movimento ambíguo. As horas trabalhadas na produção tiveram um pequeno aumento de 0,5% entre dezembro e janeiro, mas, na comparação anual, recuaram 2,6%. Da mesma forma, o emprego no setor cresceu 0,5% em janeiro, interrompendo uma sequência de quatro meses de retração. No entanto, o patamar permanece 0,2% abaixo do observado em janeiro do ano anterior.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que mede o quanto a indústria está produzindo em relação ao seu potencial máximo, ficou praticamente estável, passando de 77,4% para 77,6%. Apesar do leve crescimento, o nível atual ainda é 1 ponto percentual inferior ao de janeiro de 2025.

Os Desafios Estruturais que Persistem

No entanto, especialistas alertam que os fatores que levaram ao desaquecimento do setor em 2025 continuam atuando. Em nota, a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, destacou os principais obstáculos. “Os elementos que levaram ao desaquecimento da indústria de transformação em 2025 permanecem penalizando o setor”, afirmou.

“São, sobretudo, os juros elevados, o alto custo do crédito e a desaceleração da demanda, além da forte entrada de bens de consumo importados”, completa Nocko.

Larissa Nocko, especialista da CNI

Perspectivas e a Expectativa sobre os Juros

Portanto, as perspectivas para uma recuperação robusta no curto prazo são cautelosas. A CNI avalia que a eventual redução da taxa básica de juros (Selic), cujo ciclo de cortes é esperado para começar em breve, terá um efeito limitado inicialmente. A entidade argumenta que, mesmo com possíveis quedas, o patamar da Selic continuará elevado, restringindo a atividade econômica e, em especial, os investimentos industriais.

Consequentemente, o cenário para a indústria nacional segue desafiador. A combinação entre custo de crédito alto, demanda interna desacelerada e competição com produtos importados forma um ambiente complexo para os empresários do setor.

Massa Salarial e Rendimento dos Trabalhadores

Por outro lado, um indicador que apresentou um desempenho um pouco mais consistente foi a massa salarial real, que avançou 1% em janeiro frente a dezembro. Na comparação anual, houve uma alta de 0,4%. Já o rendimento médio real dos trabalhadores ficou praticamente estável na passagem mensal, com uma leve variação negativa de 0,1%, mas registrou um crescimento de 0,7% em relação a janeiro de 2025.


Em resumo, os dados de janeiro revelam uma indústria que tenta se recuperar de um ano difícil, mas ainda presa a amarras macroeconômicas. A melhora pontual em alguns indicadores é um sinal positivo, mas insuficiente para alterar a trajetória de queda quando observado o desempenho anual. A evolução do setor dependerá, fundamentalmente, de mudanças no cenário de juros e na retomada da demanda interna.