O Combustível da Inflação: Pressão sobre o Diesel

Para começar, o preço internacional do petróleo disparou após o início das hostilidades. O barril do tipo Brent, referência global, saltou de US$ 72 para mais de US$ 80 em apenas três dias. Inicialmente, essa alta tem um caminho direto para o Brasil através dos combustíveis. Conforme análise da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), já existia uma defasagem significativa no preço do diesel.

Entretanto, a nova volatilidade cria um dilema para a política de preços. “O diesel já deveria ter sido reajustado”, avalia o economista Maurício Nakahodo, especialista em commodities. Ele projeta um ajuste possível nos próximos 30 dias, o que pressionaria diretamente a composição de custos do transporte rodoviário de cargas. Consequentemente, o valor do frete em todo o país tende a subir.

O Estrangulamento das Rotas: Estreito de Ormuz

Além do petróleo, um ponto geográfico se tornou o epicentro do risco logístico: o Estreito de Ormuz. Ameaças de bloquear essa passagem crucial abalam o comércio marítimo com todo o Oriente Médio. Da mesma forma, os custos de frete e seguros marítimos disparam. Um relatório do Bradesco aponta que algumas seguradoras já reconsideram a cobertura para embarcações na região.

Impacto nas Exportações Brasileiras para o Oriente Médio (2025):

  • Carne de Frango: 35% do total exportado (US$ 3 bilhões)
  • Milho: 32% do total exportado (US$ 2,7 bilhões)
  • Principal comprador: O Irã é o maior destino do milho brasileiro.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Agronegócio em Alerta: Mercados e Insumos

No entanto, os efeitos vão além da logística. O agronegócio exportador é um dos setores mais expostos. Por outro lado, analistas ponderam que parte das vendas, como a de milho para o Irã – concentrada no segundo semestre –, poderia ser redirecionada. Apesar disso, a incerteza e o aumento dos custos são imediatos.

Por outro lado, um impacto silencioso, porém vital, ocorre na cadeia de fertilizantes. O Brasil importa massivamente esses insumos, e o Oriente Médio é um fornecedor-chave. Dos US$ 7,1 bilhões em produtos que o Brasil comprou da região em 2025, US$ 2,2 bilhões foram em fertilizantes. Portanto, qualquer disrupção prolongada no fornecimento pode encarecer significativamente a produção agrícola nacional.

Um Cenário de Incerteza Prolongada

Em resumo, a duração do conflito será o fator determinante para a intensidade dos impactos finais. Inicialmente, os setores de logística e agronegócio carregam o maior fardo. Além disso, a alta do petróleo e os riscos marítimos criam um cenário de custos ascendentes. Portanto, empresas brasileiras com exposição internacional precisam se preparar para uma fase de volatilidade e planejamento contingencial rigoroso.