Três Pilares para um Desafio Complexo
Primeiramente, a abordagem do governo federal está estruturada em três eixos principais. Inicialmente, há um forte investimento em prevenção, por meio da estratégia “Viva Mais Brasil”. Além disso, o ministério trabalha para estimular a produção nacional e o domínio tecnológico de medicamentos inovadores. Por fim, estuda-se a implantação criteriosa de tratamentos como a semaglutida no SUS, sempre como parte de um acompanhamento clínico integrado.
Evolução da Obesidade no Brasil (Vigitel):
- 2006: 11.8% da população adulta com obesidade.
- 2024: 25.7% da população adulta com obesidade.
Domínio Tecnológico para Reduzir Preços
Entretanto, o acesso aos medicamentos mais modernos esbarra em um obstáculo significativo: o custo abusivo. Conforme destacado por autoridades, é inviável para qualquer sistema público oferecer acesso amplo a tratamentos de alto custo para uma condição tão prevalente. Portanto, a solução passa necessariamente pelo domínio da tecnologia de produção.
O caminho escolhido é o estímulo à fabricação nacional de peptídeos sintéticos, a base de medicamentos como semaglutida e liraglutida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já tem um edital que prioriza o registro dessas substâncias. Atualmente, 14 empresas têm pedidos em análise, e três companhias brasileiras firmaram parcerias com laboratórios indianos para essa produção.
Implantação Criteriosa no SUS
Paralelamente, estudos avançam para uma possível incorporação da semaglutida ao SUS, mas com critérios rigorosos. A ideia não é uma distribuição generalizada, mas sim o uso para grupos específicos de pacientes. Um protocolo em elaboração no Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, pode servir de modelo.
Os potenciais beneficiários seriam pacientes com:
- Obesidade avançada e comorbidades graves.
- Indivíduos na fila para cirurgia bariátrica.
- Pacientes que já recebem preparo clínico e psicológico para a cirurgia.
Prevenção: A Principal Frente de Batalha
No entanto, autoridades de saúde são enfáticas: o cerne do combate à obesidade está na prevenção. Medicamentos são apenas uma ferramenta dentro de um problema de saúde pública complexo, associado a doenças cardiovasculares e câncer. A estratégia “Viva Mais Brasil”, com investimento de R$ 340 milhões, foca em promover alimentação saudável e atividade física na atenção primária.
Medidas fiscais, como a taxação de bebidas açucaradas e a desoneração da cesta básica saudável, são vistas como fundamentais. Da mesma forma, a retirada de alimentos ultraprocessados da merenda escolar é uma ação com resultados comprovados na redução da obesidade infantil.
“Os medicamentos podem ter um papel no enfrentamento da obesidade. Mas os preços são abusivos… Queremos que laboratórios públicos e empresas nacionais dominem essa tecnologia.”
Ministério da Saúde
O Futuro do Tratamento no País
Em resumo, a expectativa é que a produção nacional, somada à concorrência entre fabricantes, derrube os preços no mercado. A expiração de patentes neste ano é um fator que acelerará esse processo. O objetivo final é transformar uma tecnologia de ponta, hoje inacessível, em uma ferramenta de saúde pública eficaz e economicamente viável, integrada a uma política ampla de promoção da saúde e qualidade de vida.