O Crescimento da Base de Clientes e a Pressão nos Lucros

Primeiramente, é crucial destacar a escala do crescimento. O número de pessoas utilizando os aplicativos de transporte e entrega de comida da empresa subiu 18% em relação ao ano anterior, atingindo 202 milhões. Para colocar em perspectiva, a companhia celebrou 100 milhões de usuários há seis anos, demonstrando uma duplicação impressionante em um período relativamente curto. Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, ressaltou que “muito poucas empresas são capazes de gerar tanto crescimento nessa escala”.

Entretanto, esse sucesso em captação de clientes não se traduziu integralmente em lucros operacionais. Conforme os resultados divulgados, o lucro operacional do quarto trimestre foi de US$ 1,77 bilhão. Apesar de representar um aumento robusto de 130% em relação ao mesmo período do ano anterior, o valor ficou aquém da projeção de analistas, que esperavam US$ 1,85 bilhão. Esta divergência entre crescimento de base e desempenho financeiro imediato acionou alertas.

A Sombra dos Táxis Autônomos e a Volatilidade do Mercado

Além disso, uma grande fonte de nervosismo entre os investidores é a rápida evolução do setor de robotáxis. A expansão de serviços de táxi sem motorista por concorrentes em todo o mundo tem sido um ponto de pressão. As ações da empresa chegaram a cair mais de 20% desde seu pico histórico em setembro, refletindo esta preocupação. Khosrowshahi buscou acalmar os mercados, afirmando que as margens de lucro com veículos autônomos seriam “muito semelhantes a outros produtos disponíveis”.

Para se posicionar nesse novo cenário, a Uber tem uma estratégia agressiva de parcerias e investimentos. A companhia trabalha com empresas como a Waymo, a Baidu e a startup britânica Wayve. Recentemente, investiu US$ 500 milhões na canadense Waabi. O CEO admitiu que o progresso “não será uma linha reta”, mas mantém otimismo, com planos de implantação em cidades como San Francisco nos próximos 12 meses. Atualmente, os robotáxis representam apenas 0,1% de todas as viagens de transporte compartilhado.

Desempenho Operacional e Previsões para 2026

Por outro lado, o negócio principal da empresa mostra sinais de aceleração. As reservas brutas no quarto trimestre superaram as estimativas, alcançando US$ 54,1 bilhões. A administração prevê um ambiente de preços mais saudável nos EUA em 2026, com a diminuição das pressões de custos de seguros que antes eram repassadas aos consumidores.

No entanto, a previsão de lucro ajustado para o primeiro trimestre de 2026, entre US$ 2,37 bilhões e US$ 2,47 bilhões, foi recebida com cautela, alinhando-se apenas com a média das expectativas dos analistas. Outro fator de volatilidade tem sido o desempenho dos investimentos da empresa em outras companhias, como a fabricante de carros elétricos Lucid e a desenvolvedora de veículos autônomos Aurora, cujas quedas no mercado pressionaram o lucro líquido trimestral.

Destaques do 4º Trimestre de 2025:

  • Usuários Ativos Mensais: 202 milhões (alta de 18%)
  • Lucro Operacional: US$ 1,77 bilhão
  • Reservas Brutas: US$ 54,1 bilhões
  • Lucro Líquido: US$ 296 milhões (pressionado por investimentos)
Fonte: Divulgação de Resultados da Uber

Mudanças na Liderança e o Caminho à Frente

Consequentemente, em meio a este cenário complexo, a empresa também anunciou uma mudança em sua liderança financeira. Prashanth Mahendra-Rajah deixará o cargo de diretor financeiro no final do mês, sendo substituído por Balaji Krishnamurthy, que anteriormente comandava as relações com investidores.

Em resumo, a Uber navega entre dois mundos: consolida seu domínio no mercado tradicional de mobilidade, atingindo um patamar inédito de usuários, enquanto se prepara para uma disrupção tecnológica que promete redefinir todo o setor. A capacidade de equilibrar o crescimento robusto do presente com os investimentos necessários para moldar o futuro será seu principal desafio nos próximos trimestres.