A Estrutura da Investigação
Primeiramente, a investigação é conduzida por uma força-tarefa que reúne diversas instituições. Além da Polícia Civil, participam o Instituto Geral de Perícias (IGP), a Brigada Militar, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Da mesma forma, cerca de 30 testemunhas já foram ouvidas, incluindo familiares, amigos e vizinhos.
Entretanto, conforme explica o delegado responsável, Anderson Spier, casos de desaparecimento possuem peculiaridades. “São várias técnicas de investigação em conjunto”, afirma. A polícia já possui elementos para indiciar o principal suspeito, um policial militar que era ex-companheiro de uma das vítimas e está preso temporariamente.
Vítimas: Silvana Aguiar (vista pela última vez em 24/01), Isail e Dalmira (pais, desaparecidos em 25/01).
O Papel Crucial da Perícia Digital
Além disso, a análise de dados telemáticos tem sido um dos pilares da investigação. A extração de informações de celulares e notebooks norteia a polícia e ajuda a traçar uma cronologia dos fatos. Foram periciados os aparelhos de cinco pessoas, incluindo o da vítima, encontrado no dia 7 de fevereiro.
Por outro lado, a perícia revelou detalhes importantes. A última ligação do celular de Silvana para o telefone fixo dos pais ocorreu às 11h33 do dia 25 de janeiro. A investigação agora busca confirmar se foi ela quem fez a chamada e sua localização naquele momento. Da mesma forma, a polícia tenta identificar a autoria de três publicações feitas no Instagram da desaparecida após seu sumiço, que relatavam um suposto acidente que, segundo as autoridades, nunca aconteceu.
- Celulares Periciados: Aparelho da vítima Silvana (pelo IGP), do suspeito e de sua esposa (pela PF), do filho e da mãe do suspeito (pela Polícia Civil).
- Dados Buscados: Geolocalização, histórico de navegação, conversas, contatos e mídias, incluindo dados apagados.
Vestígios Físicos e a Busca por Respostas
No entanto, as evidências não se limitam ao mundo digital. Perícias em imóveis revelaram amostras de sangue pertencentes a duas pessoas distintas em uma das residências. Conforme laudos, o material encontrado na pia do banheiro é de uma pessoa do sexo feminino, enquanto o da área de serviço é do sexo masculino. A perícia também indicou que não houve luta corporal no local, com apenas gotículas sendo detectadas com o uso de luminol.
Por outro lado, vários veículos ligados ao caso passaram por perícia, mas um carro vermelho, visto entrando na casa de uma das vítimas por câmeras de segurança, ainda não foi localizado. O carro do principal suspeito também aguarda exame pericial.
“Ele não deixou rastros, mas a tecnologia deixa.”
Delegado Anderson Spier, sobre as investigações.
Próximos Passos e Desafios da Investigação
Portanto, a polícia centraliza esforços na motivação e resolução do crime. Apesar das suspeitas de feminicídio e duplo homicídio, buscas em matas e áreas rurais ainda não foram realizadas por falta de indícios e perímetros definidos. Consequentemente, a investigação aguarda subsídios para concluir o inquérito e enviá-lo ao Ministério Público.
Além disso, informações cruciais de instituições como o Banco Central e a Meta (controladora do Instagram e WhatsApp) sobre transações bancárias e dados de redes sociais ainda são aguardadas. A prisão temporária do suspeito se encerra em 10 de março, e a polícia pretende pedir sua renovação. A defesa, por sua vez, afirma que usará a negativa de autoria dos crimes com base no que conhece da investigação até o momento.
Linha do Tempo das Ações Investigativas
- Formação da Força-Tarefa: Estruturação multidisciplinar há cerca de um mês.
- Coleta de Depoimentos: Ouvidas aproximadamente 30 testemunhas.
- Perícias Digitais: Extração de dados de cinco celulares e análise de notebooks.
- Exames Forenses: Análise de impressões digitais e amostras de sangue.
- Próximas Etapas: Conclusão do inquérito e envio ao MP, com espera de dados bancários e de redes sociais.