O Contexto da Retração e a Resposta do Crédito

Para começar, o setor de caminhões iniciou 2025 com uma queda expressiva. Conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o recuo foi de 34,67% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2024. A situação era ainda mais crítica para os modelos pesados, com uma retração de 20,5% no ano anterior. A alta taxa de juros foi apontada como o principal obstáculo para as vendas, que normalmente dependem de financiamento.

Dados do Move Brasil (Primeiro Mês):

  • Valor Liberado: ~R$ 1,9 bilhão
  • Operações Realizadas: 1.152
  • Valor Médio por Operação: R$ 1,1 milhão
  • Municípios Beneficiados: 532
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Como o Programa Funciona e Quem Pode Acessar

Além disso, o Move Brasil opera através de uma linha de crédito específica. O programa é conduzido em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele financia a compra de caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam a critérios ambientais. O teto total disponível é de R$ 10 bilhões, combinando recursos do Tesouro Nacional e do BNDES, sendo R$ 1 bilhão reservado exclusivamente para caminhoneiros autônomos e cooperados.

As condições são consideradas atrativas para o momento econômico. As taxas de juros giram em torno de 13% a 14% ao ano, significativamente abaixo das taxas de mercado que chegavam a 22% ou 23%. Portanto, isso representa um alívio considerável para o custo do financiamento. Existem condições ainda melhores para quem entrega um veículo antigo para desmonte, incentivando a renovação e a sustentabilidade.

Condições Principais do Financiamento

  • Taxa de Juros: Aproximadamente 13% a 14% a.a.
  • Prazo Máximo: Até 5 anos
  • Carência: Até 6 meses
  • Limite por Cliente: Até R$ 50 milhões
  • Garantia (FGI): Cobre até 80% do valor financiado

Impacto Prático nas Empresas e no Emprego

Por outro lado, o efeito prático já é visível em empresas do setor. Um exemplo é uma transportadora familiar de Santa Isabel (SP), que adquiriu seu 29º caminhão através do programa. O proprietário destacou a economia de até R$ 200 em combustível em uma viagem para o Rio de Janeiro com um modelo novo. A expectativa da empresa é contratar mais cinco funcionários ainda este ano, demonstrando o efeito multiplicador.

“Um modelo novo gasta hoje até R$ 200 a menos em combustível em uma viagem daqui para o Rio de Janeiro, por exemplo. A gente busca a renovação de frota e essa taxa de juros é adequada.”

Orlando Boaventura, empresário do setor de transportes

Da mesma forma, líderes sindicais e industriais enxergam o programa como vital. Representantes do setor enfatizam que cada emprego mantido na produção e vendas diretas ajuda a preservar outros seis empregos indiretos. O programa é visto como um esforço conjunto para manter postos de trabalho, reduzir emissões de carbono e promover uma logística mais sustentável.

O Futuro do Move Brasil e a Expectativa do Setor

No entanto, uma questão permanece: por quanto tempo os recursos durarão? O governo informou que o programa não tem um prazo rígido de conclusão, mas seguirá até que o teto de R$ 10 bilhões se esgote. A velocidade das contratações no primeiro mês indica uma demanda aquecida. A indústria pede a manutenção da iniciativa como um estímulo essencial para a retomada sustentada das vendas.

Consequentemente, há uma expectativa de que um possível ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central possa complementar os efeitos do programa no futuro. Enquanto isso, o Move Brasil se consolida como uma ferramenta crucial para reverter a retração, modernizar a frota nacional e injetar confiança em uma cadeia produtiva essencial para o escoamento da produção agrícola e industrial do país.