O Lado Obscuro do Progresso Digital
Primeiramente, o discurso reconheceu os benefícios tangíveis da IA. A tecnologia impacta positivamente setores cruciais como a produtividade industrial, a medicina de precisão e a eficiência dos serviços públicos. No entanto, Lula alertou para uma lista preocupante de aplicações nefastas. “Podem fomentar práticas extremamente nefastas”, afirmou, citando desde o emprego de armas autônomas letais até a amplificação em escala de discurso de ódio, desinformação e violência contra mulheres.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia.”
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Além disso, ele destacou um risco econômico e geopolítico concreto: a concentração excessiva de poder. “Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas”, observou. Segundo sua análise, quando poucos conglomerados controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não se trata mais de inovação, mas sim de dominação.
A Defesa por uma Regulamentação das Big Techs
Portanto, a resposta proposta pelo mandatário brasileiro é clara e direta: a regulamentação urgente das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs. Esta medida é vista como um imperativo para proteger direitos humanos fundamentais na esfera digital. O modelo de negócio atual, que frequentemente depende da exploração massiva de dados pessoais e da monetização de conteúdos polarizantes, precisa de freios e contrapesos.
- Proteção de Dados: Evitar a apropriação sem contrapartida dos dados gerados por cidadãos e instituições públicas.
- Integridade da Informação: Combater a desinformação e os conteúdos falsos que ameaçam processos democráticos.
- Defesa da Indústria Criativa: Proteger os setores culturais e criativos nacionais da exploração desequilibrada.
Nesse contexto, Lula mencionou iniciativas em andamento no Brasil, como a discussão de um marco regulatório no Congresso Nacional e o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, previsto para 2025, que visa direcionar a tecnologia para a geração de emprego e a melhoria de serviços públicos.
Governança Global e o Encontro com o Google
Paralelamente ao discurso na cúpula, o presidente realizou um encontro bilateral com Sundar Pichai, CEO do Google. A reunião, solicitada pelo executivo, tratou da importância do Brasil para a empresa e de investimentos em curso, como o centro de engenharia em São Paulo. Da mesma forma, Lula apresentou a visão e as preocupações do governo brasileiro, incluindo os projetos para atrair investimentos em datacenters.
Foco da Reunião: Riscos da IA para mulheres e meninas, marco regulatório brasileiro e proteção da indústria criativa.
Em resumo, a posição defendida internacionalmente pelo Brasil é de que a Organização das Nações Unidas (ONU) deve ser o fórum central para a construção de uma governança global da IA. Esta governança precisa ser inclusiva, evitando que o futuro digital seja moldado apenas por uma minoria de países e corporações, e deve ter como objetivo final o desenvolvimento equitativo e a proteção da humanidade contra seus próprios avanços.