O Que É o Festival Waiff e Suas Regras

O evento, criado originalmente na França, acontece nos dias 27 e 28 de fevereiro na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Inicialmente, a proposta é clara: todos os 33 filmes em competição, sejam curtas ou longas-metragens de live-action ou animação, precisaram utilizar pelo menos três ferramentas distintas de IA em sua concepção. Conforme explica Carlos Guedes, fundador do Waiff Brasil, a tecnologia está presente em todo o processo criativo. “Desde a pesquisa até a pós-produção, a IA está participando de alguma forma”, afirma.

Festival Waiff Brasil: 27 e 28 de fevereiro de 2026 | Local: FAAP, São Paulo | Filmes em Competição: 33

Fonte: Organização do Waiff Brasil

Do Oscar à TV Brasileira: A IA na Indústria

Além disso, a presença da inteligência artificial já é uma prática consolidada em grandes estúdios. Para começar, produções hollywoodianas a utilizam para ajustar efeitos especiais, desenhar cenários e figurinos e realizar mixagem de som. Da mesma forma, no Brasil, a TV Globo incorporou a ferramenta em aberturas de novelas e até para dar expressões a animais, como o burro Policarpo, em “Êta Mundo Melhor!”. A emissora terá um painel destacado no festival, discutindo justamente essas aplicações práticas.

Convidados e Visões do Mercado

Entre os convidados internacionais está Reza Sixo Safai, fundador da Massive Studios AI, uma produtora californiana dedicada exclusivamente à criação audiovisual com IA. Por outro lado, o cenário artístico também apresenta vozes de cautela. Enquanto diretores como Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) produzem conteúdo com empresas como a DeepMind do Google, outros, como Guillermo del Toro, posicionam-se radicalmente contra o uso exagerado da tecnologia.

Os Grandes Debates: Autoria, Direitos e Uniformização

No entanto, a adoção da IA não é isenta de polêmicas profundas. A maior greve da história de Hollywood, em 2023, teve a regulamentação do uso da inteligência artificial como um de seus pontos centrais. Após 118 dias, um acordo entre o sindicato de atores (SAG-AFTRA) e a aliança de produtores (AMPTP) estabeleceu proteções legais contra o uso não autorizado das imagens dos artistas.

  • Direito Autoral: Como as IAs são treinadas com obras de artistas que nem sempre são remunerados por isso?
  • Originalidade: A tecnologia, programada para identificar padrões, pode levar a uma uniformização da arte?
  • Oportunidade: A ferramenta pode dar vida a projetos engavetados e otimizar tarefas mecânicas, acelerando a produção.

Portanto, o festival surge como um palco crucial para estas discussões. Guedes compara a introdução da IA no cinema à chegada da computação gráfica (CGI), vista como mais uma ferramenta a serviço da criatividade humana. “Há momentos nos quais é possível resolver com IA o que não seria possível resolver de outra forma”, defende.

O Cinema do Futuro em Exibição

Consequentemente, as telas do Waiff mostrarão o espectro completo dessa nova fronteira. Alguns filmes foram totalmente criados com IA, enquanto outros usaram câmeras reais e aplicaram a tecnologia apenas na edição e montagem. Um dos curtas em exibição, “Hallucination”, parece metaforizar este momento de transição: nele, um herói de quadrinhos ganha vida no mundo real para lutar ao lado de seu criador contra uma IA acusada de plágio. O festival, em resumo, não é apenas uma mostra de filmes, mas um reflexo vivo do diálogo complexo e necessário entre a arte tradicional e a inovação tecnológica.