Oportunidade Real Exige Visão Ampla
Para começar, a transformação tecnológica global coloca o país em uma encruzilhada. Inicialmente, a discussão sobre incentivos fiscais para infraestrutura de dados, como o programa Redata, ganhou destaque. No entanto, economistas alertam que o debate precisa ir além da simples atração de investimentos em “casca” – os prédios e servidores. Conforme análise de especialistas, o Brasil possui ativos competitivos, como uma matriz energética majoritariamente limpa, um fator decisivo para empresas globais hoje.
Ponto Crítico: Foco em hardware, software e IA gera mais riqueza sustentável do que apenas hospedar dados.
Incentivo Fiscal Não É a Única Solução
Entretanto, a eficácia de renúncias tributárias em um sistema complexo é questionada. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, amplia o horizonte. Ele sustenta que a lógica não pode ser apenas a de que “isenção gera emprego e ponto”. Da mesma forma, Danilo Igliori, da Nomad, defende que políticas públicas dessa magnitude precisam de estudos de impacto robustos, considerando efeitos fiscais e concorrenciais de longo prazo.
- Visão Limitada: Atrair apenas a infraestrutura física (datacenters).
- Visão Estratégica: Desenvolver capacidades em IA, hardware e software nacionais.
- Requisito Fundamental: Segurança jurídica sólida, especialmente na aplicação da LGPD.
Segurança Jurídica como Alicerce
Por outro lado, um ponto sensível e indispensável é o ambiente regulatório. A presença massiva de datacenters, que armazenam dados globais e informações estratégicas, exige segurança jurídica inabalável. Portanto, a discussão transcende a economia e adentra o campo institucional. A aplicação consistente da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é citada como pilar para atrair investimentos de qualidade e garantir soberania digital.
“O Brasil não pode perder o bonde da inteligência artificial. A IA é intensiva em capacidade computacional e demanda centros robustos de processamento.”
Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad
Conclusão: Hospedar ou Liderar?
Em resumo, o programa Redata funciona como um catalisador para uma pergunta maior: o Brasil quer apenas hospedar a revolução digital ou ambiciona liderar parte dela? Consequentemente, a resposta define o futuro econômico do país na era digital. Os especialistas convergem em um ponto: a oportunidade é real, mas exige planejamento detalhado, ambição clara e menos superficialidade no debate. O caminho passa por investir em conhecimento, inovação e em um ecossistema que vá além da infraestrutura básica.