Evidências de Uma Exaustão Vendedora
Para começar, especialistas apontam para o clássico setup de fundo formado durante a queda violenta. “Quando o preço cai muito rápido, sempre tem uma posição grande no limite. Alguém acaba sendo forçado a vender, o que gera uma liquidação violenta. Na quinta e na sexta-feira, vimos volumes recordes e uma velocidade também recorde. Esse é um setup clássico de fundo”, avalia Alexandre Vasarhelyi, gestor da B2V Crypto. Além disso, dados do Mercado Bitcoin revelam que, no pior momento da queda, houve 5,6 vezes mais investidores comprando do que vendendo, um sinal de forte interesse na baixa.
Queda Acumulada do Pico: Aproximadamente 50%
Patamar de “Fundo” Tocado: US$ 60 mil
Recuperação Imediata: Para ~US$ 70 mil
O Contraste com Crises Passadas e o Risco Persistente
No entanto, é preciso cautela. Apesar dos sinais otimistas, o risco de uma queda maior ainda persiste. Vasarhelyi ressalta que, diferentemente do colapso de 2022 com a quebra da FTX, nenhuma grande infraestrutura quebrou desta vez. “Se não houver um evento desse tipo, é perfeitamente plausível que os US$ 60 mil tenham sido o fundo”, pondera. Por outro lado, o ambiente macroeconômico global de juros elevados continua a pressionar ativos de risco, criando um cenário de incerteza no curto prazo.
Indicadores de Sentimento no Extremo
Um termômetro importante do humor do mercado, o Índice de Ganância e Medo do Bitcoin, chegou a marcar apenas 5 pontos em uma escala de 0 a 100, sinalizando medo extremo. Historicamente, níveis tão baixos não determinam o fundo exato, mas costumam aparecer próximos a zonas de exaustão vendedora. Da mesma forma, a Galaxy Digital, em análise conduzida por Alex Thorn, observa que a magnitude da queda é compatível com zonas de fundo históricas, embora destaque que ainda faltam evidências concretas de um fundo firme.
- Volume Recorde: Liquidações concentradas em derivativos amplificaram o movimento.
- Maturidade do Mercado: A reação atual contrasta com ciclos anteriores, com mais perguntas sobre “hora de comprar” do que declarações de “morte” do ativo.
- Foco no Longo Prazo: Estrategistas, como os do JPMorgan, veem atratividade ajustada ao risco no longo prazo.
A Perspectiva Estratégica Para o Investidor
Portanto, para o investidor, a pergunta central deve transcender a volatilidade imediata. Conforme argumenta Vasarhelyi, o critério decisivo é o horizonte de uma década: “o Bitcoin e os criptoativos serão mais usados daqui a dez anos do que hoje?”. Se a resposta for positiva, não ter uma exposição ao ativo pode configurar um erro de alocação. Em resumo, enquanto o curto prazo segue marcado por volatilidade e busca por um piso sustentável, a tese de adoção tecnológica de longo prazo permanece como o principal norteador para muitos participantes do mercado.
“Quando agentes de inteligência artificial começarem a movimentar dinheiro, você acha que eles vão abrir conta em banco ou vão usar criptoativos?”
Alexandre Vasarhelyi, Gestor da B2V Crypto