Revisão Expressiva nas Projeções

Para começar, um dos movimentos mais significativos vem de um importante banco internacional. Inicialmente, a instituição projetava que o Bitcoin poderia atingir US$ 300 mil até o final de 2026. Entretanto, em uma revisão feita em dezembro, essa meta foi reduzida para US$ 150 mil. Agora, em uma nova atualização, a projeção foi cortada novamente, desta vez para US$ 100 mil no mesmo horizonte temporal.

Evolução da Projeção (Preço-alvo para fim de 2026):

  • Projeção Original: US$ 300 mil
  • Primeira Revisão (Dezembro): US$ 150 mil
  • Revisão Atual: US$ 100 mil
Fonte: Análise institucional

Alerta para Queda Iminente e Cenário Macroeconômico

Além da redução no preço-alvo de longo prazo, os analistas emitem um alerta mais imediato. Eles projetam que o Bitcoin pode testar a região de US$ 50 mil antes de iniciar uma recuperação sustentada. Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do banco, foi direto:

“Esperamos uma nova capitulação de preços nos próximos meses”.

Geoffrey Kendrick, Chefe de Pesquisa em Ativos Digitais

Por outro lado, o cenário macroeconômico nos Estados Unidos é apontado como um dos principais fatores de pressão. A expectativa é de que a economia americana desacelere, mas sem que haja novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) num futuro próximo. Esta combinação – crescimento mais lento e juros ainda elevados – tende a limitar o apetite por ativos de risco, categoria na qual as criptomoedas estão inseridas.

Saída de Recursos dos ETFs e Perfil do Investidor

Da mesma forma, o comportamento dos fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin serve como um termômetro preocupante. Desde o pico do mercado em outubro, as posições nesses ETFs caíram em quase 100 mil tokens. Dados compilados pela Bloomberg indicam que investidores retiraram cerca de US$ 8 bilhões desses fundos listados nos EUA no período.

No entanto, um dado revelador é o perfil do investidor médio atual. Segundo a análise, o preço médio de entrada agora está em torno de US$ 90 mil, o que significa que a maioria dos compradores recentes está em prejuízo com a cotação atual, que oscila próximo dos US$ 68 mil. Esta situação cria um ambiente propício para vendas por stop loss ou por desespero, potencializando quedas.

Impacto no Ethereum e no Mercado Amplo

A revisão pessimista não se limita ao Bitcoin. Para o Ethereum (ETH), a segunda maior criptomoeda, o banco também cortou suas expectativas. A projeção para o final de 2026 foi reduzida de US$ 7.500 para US$ 4.000. Pior ainda, os analistas preveem que o ETH pode cair para cerca de US$ 1.400 antes de se recuperar posteriormente. Atualmente, o token é negociado abaixo de US$ 2.000.

Portanto, o mercado cripto como um todo vive um momento de contração. Desde o ápice de outubro, o setor perdeu aproximadamente US$ 2 trilhões em valor de mercado, de acordo com a CoinGecko. O Bitcoin, que antes era visto como “ouro digital” e superava índices tradicionais, agora tem ficado atrás do desempenho do Nasdaq e do S&P 500.

Um Mercado em Amadurecimento, Apesar da Turbulência

Apesar de todos os alertas e números negativos, há um sinal positivo citado na análise. Kendrick observou que, embora acentuada, essa correção tem sido “mais organizada do que em crashes anteriores”. Diferente de colapsos passados, como o da FTX, esta liquidação não resultou no fracasso de grandes plataformas de ativos digitais. Este fato é interpretado como um sinal de que o mercado está, de fato, amadurecendo e se tornando mais resiliente.

Em resumo, o caminho para uma nova alta sustentada no mercado de criptomoedas parece exigir uma limpeza mais profunda. Consequentemente, os próximos meses serão cruciais para observar se os níveis de suporte mais baixos serão testados e se a paciência dos investidores de longo prazo será recompensada.