Resultado Mensal e Comparativo

Para começar, a balança comercial brasileira fechou o primeiro mês de 2026 com um superávit de US$ 4,343 bilhões. Inicialmente, é importante notar que esse valor representa uma redução considerável em relação ao saldo positivo de US$ 9,633 bilhões registrado em dezembro do ano anterior. Conforme dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o resultado foi construído com exportações de US$ 25,153 bilhões e importações de US$ 20,81 bilhões.

Superávit em Janeiro/2026: US$ 4,343 bilhões
Exportações: US$ 25,153 bi
Importações: US$ 20,81 bi

Fonte: Secex/MDIC

Entretanto, o desempenho ficou abaixo da mediana das projeções do mercado, que apontava para um superávit de US$ 4,8 bilhões. As estimativas, coletivamente, variavam entre US$ 3,46 bilhões e US$ 6,10 bilhões.

Análise Setorial das Exportações e Importações

Além disso, uma análise mais detalhada por setores revela movimentos distintos. No lado das exportações, houve uma queda de 1,0% na comparação com janeiro de 2025. Da mesma forma, os setores apresentaram os seguintes comportamentos:

  • Agropecuária: Crescimento de 2,1%, somando US$ 3,872 bilhões.
  • Indústria Extrativa: Queda de 3,4%, alcançando US$ 7,072 bilhões.
  • Indústria de Transformação: Queda de 0,5%, totalizando US$ 14,082 bilhões.

Por outro lado, as importações registraram uma contração mais acentuada, de 9,8% no mesmo período comparativo. A queda foi generalizada entre os segmentos:

  1. Agropecuária: -28,7% (US$ 439 milhões)
  2. Indústria Extrativa: -30,2% (US$ 770 milhões)
  3. Indústria de Transformação: -8,02% (US$ 19,446 bilhões)

Impacto das Relações com Estados Unidos e China

No entanto, o aspecto mais impactante do relatório reside na performance com os dois maiores parceiros comerciais do Brasil. As exportações para os Estados Unidos despencaram 25,5% em janeiro, totalizando US$ 2,40 bilhões. Enquanto isso, as importações americanas caíram 10,9%, para US$ 3,07 bilhões. Consequentemente, a balança bilateral com os EUA resultou em um déficit de US$ 670 milhões para o Brasil.

Esta é a sexta queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano, um efeito direto das sobretaxas de 50% impostas em meados de 2025. Apesar de algumas isenções concedidas no fim do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços calcula que aproximadamente 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas a tarifas elevadas.

Por outro lado, o comércio com a China seguiu na direção oposta, oferecendo um contraponto vital. As exportações para o país asiático cresceram expressivos 17,4% em janeiro, somando US$ 6,47 bilhões. Simultaneamente, as importações chinesas recuaram 4,9%, para US$ 5,75 bilhões. Portanto, o Brasil registrou um superávit de US$ 720 milhões com a China no período, compensando parte da perda com o mercado americano.

Conclusão e Perspectivas

Em resumo, o superávit comercial de janeiro consolida um resultado positivo, mas evidencia uma desaceleração e uma reconfiguração geográfica dos fluxos. Apesar da queda geral nas exportações e importações, o agro manteve sua força exportadora. A dependência do mercado chinês se aprofundou, enquanto a relação comercial com os Estados Unidos enfrenta desafios persistentes devido às barreiras tarifárias. Consequentemente, a performance dos próximos meses dependerá da evolução desses cenários externos e da capacidade de diversificação da pauta exportadora brasileira.