Os Motores da Recuperação Econômica
Para começar, a análise setorial revela os pilares deste crescimento. O setor agrícola foi o principal impulsionador, registrando uma expansão impressionante de 32,2% em doze meses. Da mesma forma, a intermediação financeira também contribuiu substancialmente, com um avanço de 14,1%. No entanto, nem todos os segmentos acompanharam esta trajetória positiva. Conforme os dados do Indec, a indústria manufatureira e o comércio registraram quedas de 3,9% e 1,3%, respectivamente, evidenciando uma recuperação desigual.
Crescimento do PIB Argentino (2025): 4,4%
Desempenho em Dezembro/2025: +3,5%
Contração em 2024: -1,8%
Reação Política e Críticas ao Modelo
Inicialmente, o presidente Javier Milei reagiu aos números com um tom de desafio. Através de suas redes sociais, ele direcionou uma mensagem aos que chamou de “profetas do caos”, afirmando que “a Argentina avança”. Entretanto, especialistas e oposicionistas apontam para o custo social e econômico por trás dos índices macroeconômicos. O economista Pablo Tigani, por exemplo, classificou o crescimento como uma “ilusão”, citando o controle cambial, a queda do consumo e a redução do investimento estrangeiro direto como indicadores problemáticos.
“Taxa de câmbio controlada, aumento da dívida pública, queda do consumo… O programa não é viável.”
Pablo Tigani, economista e crítico do governo
O Outro Lado da Moeda: Ajuste e Impacto Social
Além disso, é fundamental analisar o contexto mais amplo que permitiu esta recuperação. O governo implementou um severo ajuste orçamentário, com cortes profundos nos gastos públicos, e promoveu uma abertura das importações. Consequentemente, setores como a indústria foram fortemente impactados. Estimativas de fontes sindicais apontam para o fechamento de mais de 21.000 empresas e a perda de aproximadamente 300.000 empregos nos últimos dois anos, um dado que contrasta com a melhora nos agregados macroeconômicos.
- Inflação Controlada: Caiu de 211,4% (2023) para 31,5% (2025).
- Contas Públicas: Superávit por dois anos consecutivos, feito inédito desde 2008.
- Projeções Futuras: O FMI prevê crescimento de 4% para 2026 e 2027, enquanto o governo projeta 5%.
Próximos Passos e Reformas em Andamento
Portanto, o cenário para 2026 é de expectativas cautelosas. O governo Milei conseguiu avançar com sua primeira grande reforma estrutural, a chamada “modernização trabalhista”, que aguarda sanção presidencial. Em resumo, a recuperação econômica argentina em 2025 é um fato, mas seu caráter setorialmente concentrado e os custos sociais associados geram um debate intenso sobre a sustentabilidade e a qualidade deste crescimento no médio e longo prazos.