O Equilíbrio Delicado Entre Inovação e Segurança
Inicialmente, é crucial reconhecer que a digitalização acelerada do comércio expandiu as superfícies de ataque para cibercriminosos. Conforme dados da Serasa Experian, o ritmo de tentativas de fraude atingiu níveis alarmantes. Da mesma forma, especialistas alertam que o investimento em vendas e experiência do cliente deve andar lado a lado com a proteção de dados. Em resumo, a busca por retorno financeiro não pode mais ignorar os investimentos em cibersegurança.
Contexto de Risco: Alta de 4,1% nas tentativas de fraude no varejo em 2025.
As Cinco Tecnologias-Chave em Jogo
Primeiramente, a evolução tecnológica apresenta um duplo impacto. As ferramentas listadas a seguir podem servir como escudo ou como espada, dependendo de sua implementação e governança. Portanto, a escolha estratégica das empresas definirá quem estará blindado e quem estará vulnerável no próximo ano.
1. Criptografia Pós-Quântica: Corrida Contra o Tempo
A ameaça da computação quântica, embora futura, exige ação imediata. Entretanto, muitos negócios ainda subestimam o risco de dados serem interceptados hoje para serem decifrados amanhã. Esta tecnologia busca proteger transações financeiras e informações sensíveis dos clientes. Consequentemente, adiar a migração para esses novos padrões de segurança é um risco estratégico inaceitável.
2. Biometria Invisível: Conveniência com Responsabilidade
A autenticação biométrica evoluiu para um processo contínuo e integrado à jornada de compra. Além disso, a redução de etapas no checkout pode diminuir significativamente o abandono de carrinhos. No entanto, os dados biométricos possuem uma característica crítica: são imutáveis. Portanto, um vazamento nessa área tem consequências permanentes e graves, exigindo proteções de alto nível.
- Vantagem: Redução de fricção e aumento na conversão de vendas.
- Risco: Exposição de dados pessoais irreversíveis em caso de falha.
- Ação Necessária: Implementar criptografia de ponta a ponta e políticas rígidas de acesso.
3. IA Generativa: A Ferramenta dos Dois Lados
A inteligência artificial generativa representa talvez o maior paradoxo. Por um lado, é uma ferramenta poderosa para personalização e atendimento. Por outro lado, é usada para criar golpes de phishing hiper-realistas e deepfakes convincentes. Projeções da Deloitte indicam prejuízos globais na casa dos bilhões de dólares. Assim, investir em sistemas de detecção baseados em IA para combater fraudes geradas por IA torna-se uma necessidade.
4. Agentes Autônomos: Eficiência e Novas Vulnerabilidades
Os chatbots deram lugar a agentes autônomos capazes de realizar transações complexas. Inicialmente, isso traz ganhos operacionais e uma experiência altamente personalizada. Apesar disso, o fenômeno da Shadow AI – uso de modelos não autorizados – pode criar brechas catastróficas. Agentes maliciosos podem explorar algoritmos para manipular preços ou esgotar estoques, causando grandes prejuízos.
5. Malha de Identidade (Identity Fabric) e Confiança Zero
Esta abordagem unifica a autenticação de usuários, dispositivos e sistemas em uma camada coesa. Da mesma forma, simplifica a governança e reduz custos com suporte. No entanto, a centralização cria um ponto único de possível falha. Consequentemente, sua eficácia depende integralmente da adoção de um modelo de Zero Trust (Confiança Zero) robusto, onde nenhuma entidade é confiável por padrão.
“O setor investe para vender mais e reduzir barreiras, enquanto o cibercrime utiliza recursos avançados para escalar ataques. O equilíbrio entre retorno e proteção passou a ser determinante.”
Fernando Dulinski, especialista em Cyber Economy
Preparando-se para o Varejo do Futuro
Portanto, a jornada para 2026 exige uma mudança de mentalidade. Em resumo, a tecnologia não pode ser vista apenas como um departamento de custo ou uma ferramenta de vendas. Ela é, acima de tudo, o principal componente de gestão de risco e sustentabilidade dos negócios. As empresas que integrarem a segurança desde a concepção de cada nova plataforma ou processo sairão na frente. Finalmente, em um ecossistema cada vez mais conectado, a resiliência digital se tornará a verdadeira vantagem competitiva.