Expectativas para o Futuro e o Peso dos Juros

Quando questionados sobre os próximos doze meses, as expectativas mostram um leve arrefecimento no otimismo. Inicialmente, 43% dos brasileiros acreditam que a situação econômica vai melhorar, uma queda de cinco pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior. Por outro lado, 29% preveem uma piora. Para economistas, o cenário de juros elevados continua sendo um fator determinante para essa percepção. “O sujeito até está ganhando mais, o salário está indo bem, só que, dado o nível de endividamento das famílias, o dinheiro não rende”, analisa o economista André Perfeito.

Percepção sobre a Economia (Últimos 12 meses):

  • Piorou: 43%
  • Melhorou: 24%
  • Ficou igual: 30%
  • NS/NR: 3%
Fonte: Pesquisa Quaest, fevereiro.

A Inflação dos Alimentos e o Poder de Compra

Além disso, a pressão sobre o orçamento familiar segue alta, especialmente no item alimentação. A pesquisa revela que para 56% dos brasileiros, os preços dos alimentos no supermercado ou na feira subiram no último mês. Consequentemente, essa percepção se reflete diretamente no poder de compra. Segundo os dados, 61% dos entrevistados afirmam que, com o que recebem hoje, conseguem comprar menos do que há um ano. Apenas 15% relatam uma melhora nesse aspecto.

A economista Zeina Latif ressalta o efeito desigual da inflação. “Quando vai bem, a confiança não melhora tanto. Em compensação, quando a inflação sobe, a confiança ou a aprovação no governo cai mais.” Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,33% em janeiro, com acumulado de 4,44% nos últimos doze meses.

Mercado de Trabalho e Dificuldades

No entanto, o cenário não se resume aos preços. O mercado de trabalho também influencia a visão dos cidadãos. Para 49% dos entrevistados, está mais difícil conseguir um emprego atualmente, comparado ao ano passado. Da mesma forma, especialistas observam uma mudança na tendência de geração de vagas, o que contribui para um sentimento de incerteza. “Não tem alívios. A classe média sente condições que não são ruins, mas também não há coisas positivas em curso”, complementa Zeina Latif.

“Para as empresas é a mesma coisa: estamos vendo boa parte do lucro empresarial sendo drenado para pagamento de juros, o que faz com que o sentimento empresarial não fique bom.”

André Perfeito, economista

Metodologia e Representatividade do Estudo

Portanto, os números apresentados oferecem um retrato detalhado do clima econômico no país. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e conduzido pelo instituto Quaest, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o território nacional. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Em resumo, os dados reforçam os desafios de conciliar controle inflacionário, juros e recuperação do poder de compra para reverter a percepção negativa que persiste entre os brasileiros.