O Peso da Eleição Brasileira na Bolsa de Valores

Inicialmente, o pleito presidencial será o principal catalisador de movimentos no mercado doméstico. Para começar, a reação do Ibovespa à confirmação de candidaturas já demonstrou a sensibilidade do capital. Um exemplo claro ocorreu em dezembro, quando o índice recuou fortemente após um anúncio político que desalinhou-se com as expectativas do mercado financeiro.

“O mercado não dará o benefício da dúvida para Lula outra vez”, afirma Getúlio Ost, gestor da SulAmérica Investimentos.

Gestor de Investimentos

Consequentemente, os gestores sinalizam que a exposição à renda variável nacional estará condicionada a compromissos claros com o ajuste fiscal por parte dos candidatos. Caso contrário, as estratégias podem rapidamente migrar para posições defensivas ou até mesmo apostas na queda dos índices através de derivativos.

Como os Multimercados Estão Distribuindo Seu Patrimônio

Para potencializar ganhos e proteger o capital, a diversificação será a palavra de ordem. A alocação inicial projetada para 2026 segue uma divisão 60% Brasil e 40% exterior, mas com uma composição interna revisada.

Alocação no Brasil (60% do portfólio):

Estratégia Inicial dos Fundos Multimercado
  • Renda Variável (35%): Foco em setores defensivos. Grandes bancos e concessionárias de serviços públicos, como saneamento e energia, são preferidos por oferecerem maior resiliência em meio a turbulências políticas.
  • Renda Fixa (25%): Concentração em papéis pós-fixados atrelados ao CDI ou à Selic, com prazos mais curtos. Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, também compõem a carteira, com alguns gestores assumindo posições de longo prazo antecipando uma queda na curva de juros.

Por outro lado, a parcela internacional ganha contornos mais diversificados, reduzindo a concentração histórica nos Estados Unidos.

Alocação no Exterior: Menos EUA, Mais Diversificação

Da mesma forma, os 40% destinados ao exterior em 2026 trazem mudanças significativas. A exposição direta aos Estados Unidos será reduzida para metade dessa fatia, com todo o capital alocado em bolsas de valores americanas.

  1. ETFs de Índices (15%): Fundos que replicam índices amplos como o S&P 500.
  2. Ações de Tecnologia e IA (5%): Foco em empresas com sólida geração de caixa no setor de inteligência artificial, evitando especulações excessivas.
  3. Europa e Moedas (15%): Cerca de 10% em ETFs de índices europeus, como o Stoxx 600, e até 5% em moedas alternativas como o euro e o dólar australiano.
  4. Ouro (5%): O metal mantém seu papel tradicional de reserva de valor e proteção contra instabilidade geopolítica.

Segundo dados da B3, o retorno de investidores estrangeiros em 2025 foi um dos motores para o otimismo com a bolsa local. No entanto, esse fluxo é considerado sensível ao cenário político.

A Filosofia “All Weather” para Tempos Incertos

Em resumo, a estratégia predominante para 2026 é inspirada no conceito de portfólio para todos os climas, popularizado pelo investidor Ray Dalio. A premissa central não é prever o futuro, mas construir uma carteira resiliente capaz de performar em diferentes cenários macroeconômicos.

Isso requer flexibilidade operacional para realocações rápidas diante de novos fatos, sejam eleitorais ou geopolíticos. Portanto, o investidor pessoa física pode extrair lições valiosas: diversificação ampla (geográfica e entre classes de ativos), preferência por setores defensivos em momentos de alta incerteza e a manutenção de uma parcela do patrimônio em ativos de proteção, como o ouro.

Finalmente, em um ano onde tentar adivinhar o próximo movimento pode ser um erro custoso, a disciplina e a adaptabilidade surgem como as verdadeiras aliadas para preservar e fazer crescer o capital.