A Dimensão do Gigante Adormecido

Inicialmente, os números impressionam. Segundo a Energy Information Administration (EIA), agência oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos, a Venezuela concentra cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas. Para começar, esse volume representa aproximadamente 17% do total conhecido mundialmente, colocando o país à frente de potências tradicionais como Arábia Saudita e Irã. No entanto, um detalhe técnico é fundamental: boa parte desse petróleo é do tipo extrapesado, exigindo tecnologia avançada e investimentos massivos para sua extração e refino.

Ranking de Reservas Comprovadas (Bilhões de Barris):

  • Venezuela: 303
  • Arábia Saudita: 267
  • Irã: 209
  • Canadá: 168
  • Iraque: 145
Fonte: Energy Information Administration (EIA)

Queda Histórica na Produção

Por outro lado, a capacidade de produção conta uma história completamente diferente. Conforme a Statistical Review of World Energy, a produção venezuelana despencou de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para cerca de 1 milhão de barris por dia recentemente. Da mesma forma, essa queda vertiginosa reduziu a participação do país para menos de 1% da produção global. A seguir, os principais fatores que explicam esse declínio:

  1. Infraestrutura precária e falta de manutenção nos campos e refinarias.
  2. Sanções internacionais que restringem acesso a tecnologia, peças e capital de investimento.
  3. Gestão da estatal PDVSA, que sofreu com politização e fuga de quadros técnicos.

Dependência Econômica e Impacto das Sanções

Apesar disso, o petróleo permanece como a espinha dorsal da economia venezuelana. Historicamente, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações do país vieram do setor petrolífero. Consequentemente, qualquer oscilação no preço ou volume produzido gera impactos diretos e severos. Um estudo do Instituto Tricontinental estima que sanções lideradas por potências estrangeiras causaram perdas de aproximadamente US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas para a Venezuela entre 2017 e 2024.

Entretanto, há sinais recentes de recuperação. Dados do Banco Central da Venezuela indicam que a economia cresceu 8,71% no terceiro trimestre de 2025, impulsionada principalmente pelo setor de hidrocarbonetos, que avançou 16,12%. A estatal PDVSA faturou cerca de US$ 17,5 bilhões com exportações em 2024, destinando mais da metade desse valor ao Tesouro nacional.

O Xadrez Geopolítico do Petróleo

Além dos aspectos econômicos, o petróleo venezuelano é uma peça central em um tabuleiro geopolítico complexo. Inicialmente, os Estados Unidos eram os principais compradores. Com o endurecimento das sanções, a Venezuela redirecionou suas exportações para a China, em acordos que frequentemente envolvem troca de petróleo por empréstimos ou outros recursos. Essa mudança intensificou a disputa por influência na região.

O petróleo venezuelano é considerado estrategicamente relevante por ser compatível com refinarias americanas. Especialistas afirmam que o interesse de potências estrangeiras vai além de discursos políticos e inclui objetivos econômicos concretos.

Análise baseada em relatórios do setor energético

Portanto, o futuro do setor permanece incerto e intimamente ligado a decisões políticas internas e a relações internacionais. A capacidade de reverter a queda histórica na produção e modernizar a infraestrutura definirá não apenas o destino econômico da Venezuela, mas também seu papel no cenário energético global das próximas décadas.