As Opções de Retaliação em Mesa

Para começar, a principal medida em análise é a reativação de um pacote de tarifas retaliatórias no valor de 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 581 bilhões). Inicialmente aprovado em julho de 2025 e suspenso após um acordo, este pacote poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro. Conforme fontes da Comissão Europeia, a lista inclui produtos estratégicos como aviões da Boeing, automóveis, uísque bourbon, soja e equipamentos médicos.

Valor do Pacote Retaliatório: 93 bilhões de euros

Data de Entrada em Vigor: 6 de fevereiro (se ativado)

Fonte: Documentos internos da União Europeia

No entanto, a opção mais impactante e inédita é o acionamento do Instrumento Anti-Coerção (ACI). Adotado em 2023 mas nunca utilizado, esta ferramenta permite ações como:

  • Restrição de acesso a licitações públicas para empresas americanas
  • Limitações no setor bancário e financeiro
  • Barreiras ao comércio de serviços, incluindo serviços digitais
  • Possível revogação de direitos de propriedade intelectual

A Crise da Groenlândia e a Reação Europeia

A origem do conflito está na insistência do governo dos EUA em adquirir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Como resposta à resistência, foram ameaçadas tarifas de 10% sobre importações de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro. Da mesma forma, a postura foi classificada como inaceitável por líderes do bloco.

Os ministros das Finanças da França e Alemanha foram categóricos. “Alemanha e França concordam: Não nos permitiremos ser chantageadas”, declarou o ministro alemão Lars Klingbeil. Por outro lado, seu colega francês, Roland Lescure, afirmou: “A chantagem entre aliados de 250 anos é obviamente inaceitável”, demonstrando apoio ao uso do ACI se necessário.

“A perspectiva de tarifas mais altas para aqueles que contribuem para a segurança da Groenlândia é, na minha opinião, um erro.”

Giorgia Meloni, Primeira-Ministra da Itália

Mediação e Divergências no Cenário Geopolítico

Entretanto, nem todas as vozes dentro do cenário europeu pregam apenas confronto. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, ofereceu-se como mediadora, destacando os interesses de segurança comuns entre EUA e Europa no Oceano Ártico. Apesar disso, ela criticou publicamente a tática de ameaças tarifárias.

Além disso, a crise ganhou dimensão geopolítica com a reação da Rússia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou as alegações de que o país representaria uma ameaça à Groenlândia e fez um comentário irônico: “Há especialistas internacionais que acreditam que, ao resolver a questão da incorporação da Groenlândia, Trump certamente entrará para a história.”

Portanto, a situação revela fissuras significativas. Enquanto líderes dinamarqueses e groenlandeses reiteram que a ilha não está à venda, a UE se vê forçada a unir-se contra um aliado histórico. Consequentemente, a reunião de quinta-feira e uma possível reunião extraordinária do G7 na quarta-feira (21) serão decisivas para o futuro das relações transatlânticas.

Próximos Passos e Possíveis Cenários

  1. Reunião do G7 (21/01): Discussão franca entre ministros das finanças, incluindo os EUA.
  2. Cúpula de Emergência da UE (22/01): Definição da resposta formal e unificada do bloco.
  3. 1º de Fevereiro: Data limite para a entrada das tarifas americanas ameaçadas.
  4. 6 de Fevereiro: Data possível para a entrada em vigor do pacote retaliatório europeu de 93 bilhões de euros.

Em resumo, a União Europeia prepara-se para uma das maiores provas de coesão e força de sua história recente. O uso do Instrumento Anti-Coerção representaria um ponto de não retorno, enquanto a ativação do pacote tarifário já teria um impacto econômico imediato e severo. O desfecho desta crise definirá não apenas o comércio transatlântico, mas também o equilíbrio de poder no Ártico e a solidez das alianças ocidentais.