Impacto Imediato no Hashrate e na Rentabilidade
Para começar, o principal indicador afetado foi o hashrate global da rede Bitcoin, que representa o poder computacional total dedicado à mineração. Inicialmente, o valor caiu para aproximadamente 663 exahashes por segundo (EH/s), marcando a menor taxa em sete meses e uma redução de 40% em apenas dois dias. Apesar de uma recuperação parcial para 814 EH/s, o nível ainda estava distante do pico de 1.1 zettahash por segundo (ZH/s) registrado antes da tempestade, conforme dados da Coinwarz.
Variação do Hashrate Global: Queda de ~40% para 663 EH/s, seguida de recuperação parcial para 814 EH/s.
Além disso, um hashrate mais baixo significa que menos computadores estão competindo para resolver os complexos problemas matemáticos que validam as transações e criam novos bitcoins. Portanto, a probabilidade de sucesso para cada máquina ativa aumenta. Este fenômeno é medido pelo índice de hashprice, que subiu para US$ 0,040 por terahash por dia, acima dos US$ 0,038 anteriores, segundo o HashrateIndex. Em resumo, cada unidade de poder de mineração passou a gerar mais receita.
Reação do Mercado: Ações em Alta
O mercado financeiro reagiu rapidamente a essa mudança na dinâmica fundamental do setor. Entretanto, os ganhos não foram uniformes. Empresas com operações robustas e bem capitalizadas foram as mais beneficiadas. Conforme dados da Barchart, as ações de várias mineradoras registraram altas expressivas:
- TeraWulf: Valorização de aproximadamente 11%.
- Iren Limited: Avanço de cerca de 14%.
- Cipher Mining: Alta de quase 13%.
Da mesma forma, este movimento evidencia uma seletividade do mercado. No entanto, operações menores ou com infraestrutura menos preparada para adversidades foram severamente impactadas, sendo forçadas a desligar equipamentos. Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, detalhou em publicação no X a drástica redução na produção diária de Bitcoin de grandes players durante o pico do evento:
“A produção caiu de 22 para 12 BTC na CleanSpark; de 16 para 3 BTC na Riot Platforms; de 45 para 7 BTC na Marathon Digital; e de 18 para 6 BTC na Iren.”
Julio Moreno, CryptoQuant
Resiliência e Preparação como Fatores Críticos
Portanto, o episódio serviu como um teste de estresse para toda a indústria de mineração. A Braiins, empresa do ecossistema de Bitcoin, destacou que o clima extremo “puniu operações de mineração mais frágeis”. A companhia alertou que grande parte dos danos aos equipamentos de mineração (ASICs) ocorre durante o reinício em temperaturas congelantes ou em instalações com controle térmico inadequado.
Por outro lado, as empresas que investiram em infraestrutura resiliente, com sistemas robustos de refrigeração e gestão energética, não apenas mantiveram suas operações estáveis, como também viram sua margem de lucro expandir temporariamente. Consequentemente, este cenário cria um ambiente onde a consolidação do setor pode ser acelerada, favorecendo os operadores maiores e mais eficientes.
Lições para o Futuro do Setor
Em síntese, a tempestade de inverno nos EUA ilustrou um princípio econômico básico aplicado à mineração de criptomoedas: a redução na oferta de um serviço (poder de hash) enquanto a demanda (recompensa por bloco) se mantém, aumenta o preço unitário desse serviço. Para os investidores, o evento destacou a importância de avaliar a qualidade operacional e a preparação para riscos climáticos ao analisar empresas do setor. A resiliência tornou-se um ativo tão valioso quanto a eficiência energética.