O Panorama de Desaceleração Industrial
Primeiramente, é crucial analisar o contexto mais amplo. Quando comparado a novembro do ano anterior, o setor industrial registrou uma queda expressiva de 1,2%. Além disso, o desempenho acumulado ao longo do ano de 2025 mostra um crescimento modesto de apenas 0,6%. Este quadro evidencia uma perda clara de fôlego na atividade fabril, que reflete diretamente a desaceleração da economia nacional como um todo.
Variação Anual (Nov/25 vs Nov/24): -1.2%
O Impacto dos Juros Elevados nos Investimentos
Para começar, a principal causa apontada por analistas para essa fraqueza é o ambiente de juros elevados. A taxa básica de juros da economia, a Selic, mantida em patamar restritivo, encarece o crédito e desestimula investimentos produtivos. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca o caso específico dos bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos.
“A categoria de bens de capital chegou em novembro ao terceiro mês seguido de alta. Mas quando olhamos para os dados acumulados em 2025, vemos que o segmento perdeu força, possivelmente impactado pelos juros altos. Com a Selic elevada, o crédito fica mais caro, o que acaba desestimulando a compra desses produtos e, consequentemente, os investimentos em modernização e ampliação das fábricas”.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank
Setores com Desempenho Negativo em Novembro
Inicialmente, a estagnação geral esconde quedas significativas em setores importantes. Das quatro grandes categorias econômicas, duas apresentaram recuo. Entre os 25 ramos industriais pesquisados, 15 tiveram produção reduzida. Os principais contribuintes negativos para o resultado foram:
- Indústrias Extrativas: Recuo de 2,6%, eliminando parte do avanço do mês anterior.
- Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias: Queda de 1,6%.
- Produtos Químicos: Redução de 1,2%.
- Produtos Alimentícios e Bebidas: Quedas de 0,5% e 2,1%, respectivamente.
A Posição da Indústria no Longo Prazo
No entanto, é importante observar a trajetória de longo prazo. Apesar da recente fraqueza, a produção industrial atual ainda se mantém 2,4% acima do patamar observado antes da pandemia de Covid-19, em fevereiro de 2020. Entretanto, o setor permanece distante de seu auge histórico. O nível de produção registrado em novembro de 2025 está 14,8% abaixo do recorde absoluto alcançado em maio de 2011, demonstrando que a recuperação completa ainda é um desafio.
O Que Esperar para os Próximos Meses?
Portanto, o cenário atual aponta para continuidade da cautela. O trimestre encerrado em novembro já apresentou um recuo de 0,1% na produção. Consequentemente, a perspectiva para o fechamento de 2025 e início de 2026 permanece dependente de fatores macroeconômicos críticos, principalmente a trajetória futura da taxa de juros e o comportamento do crédito para empresas. A modernização e a expansão da capacidade produtiva nacional parecem aguardar um sinal mais claro de alívio nos custos de financiamento.