O Impacto da Nova Regra Contábil
Primeiramente, é crucial entender a mudança que amplificou o efeito da queda do mercado. A empresa adotou, no início do ano, um padrão contábil que exige a avaliação de seus ativos digitais pelo valor justo de mercado. Consequentemente, a queda de 24% no preço do Bitcoin durante o quarto trimestre se traduzirá em uma perda não realizada de vários bilhões de dólares. Segundo o FASB, este método reconhece ganhos e perdas de forma simultânea às oscilações do mercado, diferentemente da regra anterior.
Projeção da Strategy para 2025: Resultado operacional entre prejuízo de US$ 7 bi e lucro de US$ 9,5 bi.
Pressões no Modelo de Negócio
Além disso, o prejuíço contábil surge em um momento de crescente pressão sobre o modelo de negócio da Strategy. A queda de 48% no valor de suas ações em 2025 levantou preocupações sobre a sustentabilidade da estratégia. Especialistas apontam que, como o Bitcoin não gera receita e o negócio tradicional de software da empresa produz pouco fluxo de caixa, poderia haver necessidade de vender parte da reserva para cobrir obrigações futuras, como dividendos e juros.
“Vai ser uma perda significativa.”
Aaron Jacob, conselheiro sênior da Taxbit e professor associado da Brigham Young University
Para aliviar parte dessa pressão, a companhia realizou uma venda de ações ordinárias em 1º de dezembro, criando uma reserva de caixa. No entanto, o valor empresarial da Strategy – que inclui dívida e valor de ações – está próximo de ficar abaixo do valor de seu estoque de Bitcoin pela primeira vez em mais de dois anos, um sinal claro das dúvidas dos investidores.
Efeito em Cadeia no Mercado
Por outro lado, a Strategy não está sozinha nesta situação. Sua estratégia pioneira de usar o balanço corporativo para acumular Bitcoin foi copiada por outras empresas de capital aberto em 2025, que buscavam atrair investidores com exposição alavancada ao ativo digital. Da mesma forma, essas companhias agora estão sujeitas aos mesmos impactos contábeis da volatilidade, com suas ações também sofrendo fortes quedas.
- Impacto Pessoal: A fortuna pessoal do cofundador Michael Saylor recuou cerca de 40% em 2025, para aproximadamente US$ 3,8 bilhões.
- Perda de Entusiasmo: Investidores começam a questionar o modelo de tesouraria corporativa focado em criptoativos.
- Prêmio Desaparecendo: A relação entre o valor de mercado da empresa e suas reservas de Bitcoin (mNAV) caiu para pouco acima de 1, indicando que o “prêmio” que os acionistas pagavam pela estratégia quase sumiu.
O Que Esperar do Futuro
Portanto, os resultados do quarto trimestre serão um teste crítico de confiança. Com o Bitcoin encerrando 2025 em queda de 6,5%, cotado a US$ 87.648, o prejuízo operacional final deve se aproximar do limite inferior da projeção da empresa, que era de até US$ 7 bilhões. Este episódio ressalta os riscos intrínsecos de um modelo de negócio tão dependente da performance de um único ativo volátil, mesmo que seus defensores, como Saylor, vejam a volatilidade como uma característica e não um defeito.
Em resumo, o trimestre deve marcar um ponto de virada na narrativa das corporações como acumuladoras de Bitcoin, forçando uma reavaliação por parte do mercado sobre os reais fundamentos e a sustentabilidade financeira de longo prazo desta estratégia.