Análise da Trajetória Recente do Emprego
Para começar, é fundamental contextualizar o desempenho de 2025 dentro de uma série histórica. Inicialmente, observa-se uma tendência de redução no saldo anual após os picos registrados na fase de recuperação pós-pandemia.
Saldo de Empregos Formais por Ano (em milhões):
- 2025: 1,28
- 2024: 1,68
- 2023: 1,46
- 2022: 2,01
- 2021: 2,78
- 2020: -0,19 (perda líquida)
Além disso, os números totais de movimentação do mercado são expressivos. Conforme os registros administrativos, houve mais de 26,5 milhões de contratações formais no período, contra aproximadamente 25,3 milhões de demissões, resultando no saldo líquido positivo.
Desempenho Setorial: Quem Gerou Mais Vagas?
Entretanto, a criação de empregos não foi uniforme em todos os segmentos da economia. Apesar disso, todos os cinco grandes setores registraram saldo positivo, com destaque absoluto para o setor de serviços.
Da mesma forma, a distribuição das novas vagas formais em 2025 foi a seguinte:
- Serviços: 758,3 mil vagas
- Comércio: 247,1 mil vagas
- Indústria de Transformação: 144,3 mil vagas
- Construção Civil: 87,9 mil vagas
- Agropecuária: 41,9 mil vagas
Portanto, o setor de serviços foi responsável por sozinho responder por cerca de 60% de toda a geração líquida de empregos formais no país, consolidando sua posição como principal motor do mercado de trabalho.
O Impacto Sazonal e o Cenário de Dezembro
No entanto, é importante considerar os efeitos sazonais na análise mensal. Historicamente, o mês de dezembro registra um fechamento líquido de vagas formais, um padrão que se manteve em 2025.
Por outro lado, a intensidade dessa sazonalidade foi maior no último mês do ano. Enquanto em dezembro de 2024 foram encerradas 555,4 mil vagas, em dezembro de 2025 esse número subiu para 618,2 mil demissões formais, refletindo um ajuste mais pronunciado no fim do ano.
Contexto Econômico e Perspectivas
Consequentemente, especialistas apontam que a desaceleração na geração de empregos está ligada a um cenário macroeconômico mais desafiador. A combinação de um custo de crédito elevado, que reduz a liquidez e os investimentos das empresas, com pressões externas em setores específicos da indústria, contribuiu para moderar o ritmo de contratações.
“Procurei dialogar mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento.”
Declaração ministerial sobre o cenário econômico
Em resumo, o mercado de trabalho formal brasileiro manteve sua capacidade de gerar vagas em 2025, mas em um ritmo visivelmente mais lento. O setor de serviços segue como a principal âncora de empregabilidade, enquanto a indústria e a construção enfrentam maiores obstáculos. A compreensão desses fluxos é crucial para antecipar tendências e formular políticas públicas adequadas para estimular a criação de postos de trabalho de qualidade.