O Resultado do Mercado de Trabalho em 2025
Para começar, é fundamental analisar os números divulgados. O saldo líquido de empregos formais no ano passado foi de aproximadamente 1,28 milhão de vagas. Inicialmente, este valor pode parecer expressivo, mas representa uma desaceleração significativa quando comparado aos anos anteriores. Conforme a série histórica, o crescimento de 2,71% em 2025 ficou abaixo dos 3,69% de 2024 e dos 3,30% de 2023.
Saldo de Empregos Formais (Crescimento Anual):
2023: 3,30%
2024: 3,69%
2025: 2,71%
A Polêmica Causa: Juros versus Tarifas
Entretanto, o debate mais acalorado gira em torno dos fatores que levaram a esse resultado. Por um lado, as tarifas comerciais impostas por potências estrangeiras, popularmente chamadas de “tarifaço”, são frequentemente citadas. No entanto, a avaliação do governo aponta para uma direção diferente. O impacto da política de juros elevados é considerado mais danoso e abrangente do que as medidas tarifárias pontuais.
Da mesma forma, autoridades argumentam que a abertura de novos mercados internacionais pelo Brasil amenizou os efeitos comerciais negativos. Portanto, enquanto setores específicos, como o de madeira, sofreram com as tarifas, a liquidez restrita e o custo do capital de giro, agravados pela Selic a 15% ao ano, afetaram a economia como um todo, especialmente a indústria.
As Críticas à Política Monetária
Além disso, a postura do Banco Central tem sido alvo de críticas diretas. A manutenção da taxa básica de juros em patamares historicamente altos é vista como um freio excessivo ao crescimento econômico. Conforme alertado, o processo de desaceleração já era esperado, mas a demora em sinalizar cortes na taxa Selic pode comprometer parte do desempenho econômico de 2026.
“Não se trata de desaquecimento da economia, felizmente. Não se trata de queda na economia, mas é no ritmo do crescimento.”
Declaração ministerial sobre os dados do Caged
Expectativas e Medidas para 2026
Apesar do cenário desafiador, existem expectativas positivas para o início de 2026. Inicialmente, medidas governamentais devem injetar recursos na economia. A combinação de aumento real do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para uma faixa de contribuintes visa estimular o consumo interno.
Adicionalmente, a liberação de bilhões de reais em recursos retidos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) representa um fôlego financeiro para milhões de trabalhadores. Portanto, a aposta é que essas ações ajudem a sustentar a atividade econômica e, consequentemente, a geração de empregos no primeiro trimestre.
Principais Fatores que Influenciarão o Emprego em 2026
- Custo do Crédito: A trajetória futura da taxa Selic definida pelo Banco Central.
- Consumo Interno: Impacto do aumento do salário mínimo e da isenção de IR.
- Liquidez das Empresas: Acesso a capital de giro para investimento e manutenção de postos.
- Cenário Externo: Estabilidade ou novas tensões no comércio internacional.
Em resumo, o desempenho do mercado de trabalho coloca a política monetária sob os holofotes. Enquanto fatores externos existem, a análise corrente sugere que o combate à inflação via juros altos tem um custo social mensurável na geração de empregos. O desafio para os próximos meses será equilibrar o controle de preços com a necessária aceleração da atividade econômica e da contratação formal.