Impactos Econômicos Imediatos São Limitados
Para começar, a incerteza sobre os próximos desdobramentos do cenário venezuelano ainda é muito grande. Inicialmente, os principais vetores de impacto para a economia brasileira no curto prazo são o preço do petróleo e a cotação do dólar. O petróleo, embora tenha apresentado volatilidade, encerrou o dia em alta.
Comportamento do Mercado: Dólar estável com leve queda | Bolsa de Valores em alta | Petróleo volátil, mas fechou positivo.
Entretanto, há avaliações dentro do governo de que, após o ruído inicial, o preço da commodity pode cair com uma eventual retomada das exportações venezuelanas para os Estados Unidos. Essa dinâmica poderia favorecer um cenário de inflação mais baixa e até acelerar o ciclo de redução da taxa de juros pelo Banco Central. No entanto, esse cenário positivo depende de que o dólar não entre em uma trajetória de forte valorização.
A Maior Preocupação Reside no Campo Político
Por outro lado, as fontes governamentais indicam que a apreensão principal é política. O temor central é que a invasão à Venezuela represente apenas o início de um processo mais amplo, no qual os Estados Unidos busquem enfraquecer posições de esquerda em todo o continente americano.
Alguns interlocutores enxergam riscos de movimentos de “sabotagem ideológica” com interesses econômicos por trás. Da mesma forma, são feitos paralelos com o período de 2015 e 2016, quando uma sucessão de eventos — que setores da esquerda associam a apoio norte-americano interessado no mercado do pré-sal — culminou no impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
- Interesse Declarado: O líder americano deixou claro seu interesse no petróleo venezuelano após a captura de Maduro.
- Preocupação Estratégica: Uma parcela do governo brasileiro avalia que os EUA também têm interesse em riquezas naturais do Brasil, como minerais estratégicos e o petróleo da Margem Equatorial.
- Objetivo Político: Nessa leitura, poderia haver um interesse em influenciar a próxima eleição brasileira para favorecer um candidato mais alinhado aos interesses americanos.
Relação Brasil-EUA e o Direito Internacional
Apesar dessas preocupações, o desenho final desse cenário depende de uma série de variáveis e, principalmente, de como se desenvolverá a relação entre os presidentes Lula e Donald Trump daqui para frente. As manifestações oficiais do Brasil tentaram equilibrar dois princípios:
- A defesa do direito internacional, claramente violado pela operação militar unilateral.
- A manutenção de uma relação menos tensionada com os Estados Unidos.
Portanto, o comércio bilateral entre Brasil e Venezuela não é vigoroso o suficiente para gerar preocupações substanciais no campo das exportações, embora um impacto negativo de curto prazo não possa ser totalmente descartado. Em resumo, enquanto os mercados reagem com relativa tranquilidade, os gabinetes políticos se preparam para um período de maior complexidade geopolítica na região.