Decisão do Copom Mantém Selic em 15% ao Ano
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, patamar vigente desde junho de 2025. A decisão foi amplamente antecipada, com 32 das 35 instituições financeiras consultadas pela Bloomberg projetando a manutenção. Inicialmente, a postura do Copom continua focada em consolidar o controle sobre a inflação, que tem mostrado sinais de desaceleração.
Taxa Selic: 15,00% a.a. (mantida desde jun/2025)
Inflação Brasileira Aponta Para Futuro Alívio Monetário
Os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam o cenário de arrefecimento inflacionário. A taxa de janeiro ficou em 0,20%, abaixo dos 0,25% registrados em dezembro e representando a segunda menor alta para meses de janeiro desde o Plano Real. Consequentemente, cresce a expectativa de que o ciclo de cortes de juros tenha início na próxima reunião do Copom, em março.
- IPCA-15 de Janeiro/2026: 0,20%
- Previsão do Boletim Focus: Corte de 0,50 p.p. em março
- Selic projetada para fim de 2026: 12,25%
Federal Reserve Interrompe Ciclo de Cortes nos EUA
Por outro lado, do outro lado do hemisfério, o Federal Reserve também optou por interromper seu ciclo recente de reduções. A taxa básica de juros americana foi mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%, após três cortes consecutivos em 2025. A decisão ocorre mesmo com a inflação dos EUA em 2,7% em dezembro, ligeiramente acima da meta de 2% do Fed, e sob um contexto político interno de pressões e investigações.
“O grande risco, na nossa visão, não está na decisão sobre os juros. Estamos bastante confiantes de que o Fed vai manter as taxas inalteradas.”
Nick Rees, chefe de pesquisa macroeconômica da Monex
Cenário Global e Impacto no Câmbio
Além disso, a volatilidade do ambiente internacional, marcada por incertezas nas políticas comercial e externa dos Estados Unidos, tem influenciado os mercados. Um reflexo claro foi a desvalorização global do dólar, com a moeda americana atingindo seu menor valor em dois anos frente ao real, cotado a R$ 5,20. Portanto, as decisões monetárias de hoje não ocorrem no vácuo, mas são profundamente impactadas por tensões geopolíticas e expectativas de investidores.
O Que Esperar dos Próximos Passos?
Em resumo, a fase de manutenção das taxas parece ser uma pausa estratégica. Para o Brasil, os analistas ajustam seus comunicados para refletir a expectativa de um ciclo de cortes que se inicia em março. Nos Estados Unidos, o foco se desloca para a nomeação do próximo presidente do Fed, cujo mandato do atual, Jerome Powell, termina em maio, gerando apreensão sobre a futura condução da política monetária americana.