O Nascimento de uma Nova Plataforma Financeira

Para começar, a Atlas foi fundada após a saída de Reda e Siqueira do Mercado Bitcoin em outubro. Inicialmente, o empreendimento recebeu um aporte seed de R$ 5 milhões. Este capital contou com a participação estratégica da Credit Saison, uma grande instituição financeira japonesa não bancária que tem expandido suas operações no Brasil. Da mesma forma, a Seeders Ventures e investidores-anjo de peso, como Rafael Coelho (Sette, Monkey) e Paulo Cunha (Stone, Nubank), também entraram na rodada.

Investimento Inicial: R$ 5 milhões (rodada seed)

Fonte: Divulgação Atlas

Operações e Ambição de Escala

Entretanto, o mais impressionante é o volume de negócios que a plataforma já movimenta em sua fase inicial. A Atlas já emitiu aproximadamente R$ 100 milhões em operações estruturadas de crédito e equity. No entanto, o pipeline (linha de produção) planejado é monumental, chegando a R$ 5 bilhões em emissões. A empresa opera com tickets que variam de R$ 2 milhões a R$ 1 bilhão, demonstrando flexibilidade para captar desde médias empresas até grandes corporações.

  • Tipos de Operação: Dívida tokenizada, equity, crédito pessoal, consignado, real estate, telecomunicações e infraestrutura.
  • Foco Geográfico: 40% das operações originadas nos EUA, 54% no Brasil e 6% em outras regiões como Singapura e México.
  • Público-Alvo Inicial: Investidores institucionais, assessorias de investimento e gestoras de patrimônio.

A Tecnologia Como Diferencial Competitivo

Por outro lado, o grande diferencial da Atlas reside na aplicação de tecnologia para otimizar processos tradicionalmente burocráticos. A plataforma, ainda em versão beta, promete reduzir drasticamente o tempo de estruturação de operações. Enquanto um banco de investimento tradicional leva cerca de 8 meses para estruturar e distribuir um produto, a meta da Atlas é realizar o mesmo processo em 30 dias.

Além disso, a empresa já utiliza agentes de Inteligência Artificial em sua operação. Conforme Felipe Siqueira relatou, um avatar com seu rosto é capaz de realizar roadshows com clientes, apresentando produtos e a própria plataforma. Portanto, a automação inteligente não é um plano futuro, mas uma realidade atual na empresa.

Tokenização e Regulação Brasileira

Apesar de ser agnóstica em relação ao veículo de emissão, a Atlas enxerga a tecnologia blockchain como um pilar fundamental para ganhar escala global na distribuição de ativos. Siqueira destacou que o Brasil saiu na frente nesse tema, com uma regulação pioneira que se tornou referência internacional. Consequentemente, isso deu uma vantagem competitiva significativa para players que, como os fundadores da Atlas, já construíam esse mercado desde o início.

“O Brasil acabou saindo na frente. A regulação aqui foi pioneira nesse tema e virou uma referência. Isso deu muita vantagem para quem estava construindo esse mercado desde o início.”

Felipe Siqueira, Cofundador da Atlas

Próximos Passos e Expansão

Finalmente, os planos para o futuro são ambiciosos. A empresa já negocia três novos aportes, que devem vir de uma gestora brasileira com R$ 15 bilhões sob gestão e de venture capitals local e americano. A distribuição direta para o varejo de investidores está prevista para uma segunda fase, quando a marca estiver mais consolidada. Em resumo, a Atlas se posiciona não apenas como mais uma plataforma, mas como uma proposta de reinvenção do mercado de investimentos alternativos, combinando expertise financeira, tecnologia de ponta e uma visão genuinamente global desde o primeiro dia.