O Negócio e sua Estrutura Atual

Inicialmente, é preciso entender a configuração atual da operação. A joint venture Petrourdaneta, que controla os campos em questão, é formada pela estatal venezuelana PDVSA (com 60%) e pela Odebrecht E&P Espanha, uma subsidiária da Novonor (com 40%). Desde 2023, a Maha Capital detém participação majoritária nessa subsidiária e, de forma indireta, adquiriu 24% da Petrourdaneta por US$ 5 milhões. O acordo incluía uma opção (call option) para comprar a totalidade das ações da parte da Novonor por mais US$ 5 milhões, decisão que precisa ser tomada até maio.

Estrutura da Petrourdaneta (antes da opção):

  • PDVSA (Venezuela): 60% de participação.
  • Odebrecht E&P Espanha (Novonor): 40% de participação.
  • Maha Capital (Indireto): 24% (sobre os 40% da Novonor).
Fonte: Dados da operação

O Impacto da Mudança Política e os Riscos Envolvidos

No entanto, a avaliação da Maha foi profundamente impactada pelos eventos recentes na Venezuela. A companhia foi pega de surpresa com o ataque militar dos Estados Unidos e a subsequente mudança de regime. Entretanto, internamente, a análise é que o potencial do negócio pode ter ganho outra dimensão, embora os riscos permaneçam altos.

“Como teve muita coisa que aconteceu e ainda existe muita volatilidade, temos que esperar os próximos dias, entender qual será a diretriz dessa relação Estados Unidos e Venezuela”, afirmou o CEO da Maha, Roberto Marchiori, em declaração reproduzida pela imprensa. A principal incógnita são as sanções econômicas impostas pelos EUA e a postura do governo de Donald Trump em relação a empresas estrangeiras que queiram operar no país.

Compliance e a Sombra das Sanções Norte-Americanas

Para começar, a Maha trabalha estritamente alinhada às regras de compliance dos Estados Unidos. Durante o governo Biden, houve sinalização de flexibilização para exploração por empresas estrangeiras, e a própria Maha pediu autorização para operar em março de 2024. Por outro lado, com a volta de Trump, o governo suspendeu análises de licenças, concedendo aval apenas para a gigante Chevron operar diretamente. Portanto, a incerteza regulatória é o maior entrave.

Uma Decisão Estratégica: Fintech vs. Petróleo

Além disso, a Maha passa por uma redefinição de seu core business. Recentemente, a companhia anunciou fusão com uma fintech americana e realizou desinvestimentos em ativos de óleo e gás. Consequentemente, discute-se internamente se faria sentido manter uma operação petrolífera. “A gente quer exercer a compra e ser uma operadora de petróleo e uma fintech? Acho que não. Acho que a gente poderia simplesmente exercer a compra rapidamente e vendê-la”, complementou Marchiori.

Potencial Extraordinário de Retorno

Apesar da nebulosidade, o investimento de 2023 é visto como uma oportunidade de retorno excepcional. Atualmente, a Petrourdaneta produz cerca de 2.000 barris por dia. No entanto, a Maha projeta que os campos podem atingir até 40 mil barris diários nos próximos quatro anos, o que poderia levar o valor de mercado da operação a cerca de US$ 750 milhões. O mercado reagiu com otimismo a esse potencial: as ações da Maha na bolsa de Estocolmo subiram 13% em um único dia.

“No limite, a gente poderia exercer a compra e depois achar um novo parceiro estratégico, vender talvez para algum outro player ali perto.”

Roberto Marchiori, CEO da Maha Capital

Em resumo, a decisão da Maha Capital vai além de uma simples opção de compra. Ela envolve uma análise complexa de geopolítica, compliance internacional, estratégia corporativa e, é claro, o cálculo de um risco que pode gerar um retorno multiplicado por cem. Os próximos meses serão decisivos.