O Crescimento Exponencial do Mercado Sustentável

Primeiramente, é crucial compreender a velocidade dessa transformação. Segundo análise do Fórum Econômico Mundial, as receitas vinculadas a negócios verdes crescem, em média, ao dobro da velocidade das receitas convencionais. A projeção é que esse mercado atinja a cifra de US$ 7 trilhões até 2030, sinalizando uma trajetória de expansão irreversível.

Projeção do Mercado Verde: US$ 5 trilhões (atual) → US$ 7 trilhões (2030)

Fonte: Fórum Econômico Mundial

Além disso, as empresas alinhadas a esses princípios costumam ter acesso a capital mais barato e são melhor avaliadas nos mercados financeiros. “Esta é uma agenda inescapável, é para onde o mundo caminha”, avalia José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho da holding Colpar Brasil.

A Revolução nos Investimentos e Finanças Verdes

No universo financeiro, a mudança é palpável. O que antes era um nicho tornou-se uma força dominante. Conforme dados da Fortune Business Insights, o mercado global de investimentos ESG foi avaliado em US$ 39 trilhões em 2025, com expectativa de alcançar impressionantes US$ 125 trilhões até 2032.

  • Trilhos Verdes: As emissões de títulos sustentáveis (verdes, sociais) superaram US$ 160 bilhões apenas em 2023.
  • Decisão dos Investidores: Uma pesquisa global da PwC revela que 79% dos investidores consideram critérios ESG ao alocar seus recursos.
  • Democratização: Embora investidores institucionais dominem hoje, espera-se grande crescimento na adesão de pessoas físicas nos próximos anos.

O Boom dos Empregos Verdes e a Demanda por Habilidades

Por outro lado, a economia real sente o impacto com a explosão na demanda por profissionais qualificados. A agenda ambiental abre um gigantesco horizonte econômico, que se materializa na criação massiva de empregos. De acordo com o Global Green Skills Report do LinkedIn, a demanda por habilidades sustentáveis cresceu 11,6% entre 2023 e 2024, superando o aumento da oferta de trabalhadores (5,6%).

No Brasil, esse movimento já é uma realidade. Estudos apontam que o país conta atualmente com 6,8 milhões de empregos verdes formais, representando 9% do total. Deste montante, 30% são ocupados por jovens entre 14 e 29 anos.

“O importante é que o trabalho desempenhado contribui para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa, para a preservação dos recursos naturais e para o avanço da transição ecológica”.

José Roberto Colnaghi, Presidente do Conselho da Colpar Brasil

Potencial Brasileiro: Bioeconomia e Projeções de Futuro

Portanto, o Brasil se posiciona como um ator fundamental nessa nova economia. A Fundação Getulio Vargas (FGV) calcula que o PIB da bioeconomia nacional alcançou R$ 2,7 trilhões em 2023, equivalente a um quarto do PIB total do país. Este cálculo abrange desde agricultura e biocombustíveis até partes das indústrias farmoquímicas e de energia renovável.

As projeções para a geração de empregos são otimistas:

  1. Estudo do Instituto Aya e Systemiq, apresentado na COP30, estima a criação de até 10 milhões de postos de trabalho verde até 2030.
  2. Pesquisa da Agenda Pública e Fundação Volkswagen projeta um número de 6,4 milhões de novos empregos na mesma década.

Em resumo, a economia verde deixou de ser uma promessa futura para se tornar o motor de uma transformação profunda e lucrativa. Ela redefine regras de investimento, cria milhões de empregos e coloca nações com vasta biodiversidade, como o Brasil, no centro de uma revolução que é tanto ecológica quanto econômica.