O Novo Cenário de Crescimento para 2026
Conforme as previsões de mercado coletadas pelo Banco Central, 59% do crescimento econômico em 2026 virá do setor de serviços. Inicialmente, isso inclui atividades como comércio, transportes, serviços financeiros e uma vasta gama de prestadores de serviço. Além disso, o cenário aponta para uma moderação no ritmo de expansão da economia, que deve passar de 2,3% em 2025 para 1,8% no próximo ano.
Participação no Crescimento do PIB 2026 (Projeção):
- Setor de Serviços: 59%
- Indústria (total): 16%
- Agropecuária: 6%
Por Que o Consumo das Famílias se Mantém Forte
Apesar do ambiente de juros elevados, que continuam a pressionar setores dependentes de crédito, a renda das famílias deve seguir em expansão. Para começar, um mercado de trabalho ainda robusto é o principal sustentáculo. Da mesma forma, medidas governamentais recentes criam um colchão de proteção. Natalia Cotarelli, economista do Itaú Unibanco, destaca: “Os gastos com bens e serviços devem continuar sustentados pelo mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e pela massa de renda em expansão”.
Entre os principais fatores que impulsionam a renda disponível, destacam-se:
- Isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
- Expansão de novas linhas de crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
- Reajuste do salário mínimo, que garante um piso maior para milhões de brasileiros.
A Desaceleração Esperada no Agronegócio
No entanto, nem todos os setores compartilham do mesmo otimismo. Por outro lado, o agronegócio, que foi um aliado de peso em 2025, contribuindo com 26% do crescimento do PIB, deve ver sua participação cair drasticamente. As previsões apontam para um crescimento de apenas 2% na agropecuária em 2026, ante os 10,3% estimados para 2025. Consequentemente, sua contribuição para o PIB deve cair para cerca de 6%.
Esta cautela se baseia em dois pilares principais:
- Base de comparação alta: O recorde de 2025 torna o crescimento subsequente mais difícil.
- Fatores climáticos: A possível atuação do fenômeno La Niña e uma oferta global maior de grãos pressionam os preços e a produtividade.
Indústria e Setor Extrativista em Meio a Juros Elevados
Enquanto isso, a indústria de transformação, que inclui bens duráveis e construção civil, deve continuar sentindo o peso dos juros altos. Apesar disso, um segmento específico pode oferecer algum contrapeso. Conforme análises de mercado, os setores extrativistas – petróleo e mineração – tendem a compensar parte desse impacto negativo com o aumento da produção. Portanto, a indústria como um todo deve responder por 16% do crescimento do PIB em 2026.
“O setor de serviços deve manter crescimento próximo ao estimado para 2025, sustentado por medidas de estímulo e resiliência do mercado de trabalho. Já a indústria, particularmente o segmento de transformação, deve apresentar desaceleração mais acentuada.”
Fernando Honorato Barbosa, Economista-Chefe do Bradesco
Riscos e Oportunidades no Horizonte
Portanto, o cenário para 2026 é de crescimento moderado e guiado pelo consumo. Entretanto, especialistas alertam para riscos que podem alterar essa trajetória. O alto endividamento das famílias, por exemplo, representa um freio potencial à oferta de crédito ao longo do ano. Em contrapartida, eventos como a Copa do Mundo de 2026 podem alavancar setores específicos do varejo, como eletrônicos, bebidas e alimentos.
Em resumo, a economia brasileira navega em um momento de rebalanceamento. O motor do crescimento migra temporariamente das commodities para os serviços e a força do consumo interno, em um teste de resiliência que definirá o ritmo de 2026.