Panorama Nacional e Desempenho por Setor

Para começar, o volume total de energia consumida no período alcançou a marca de 562.659 gigawatts-hora (GWh). Inicialmente, analisando apenas o mês de dezembro de 2025, o consumo nacional foi de 47.616 GWh, registrando uma alta de 0,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este é, conforme os registros, o segundo avanço consecutivo na comparação interanual.

Entretanto, o crescimento não foi uniforme entre todos os segmentos. O setor residencial foi o grande destaque positivo, com um expressivo aumento de 4,1% no consumo durante o mês de dezembro. Da mesma forma, as áreas comercial e “outros” também apresentaram avanços, de 0,5% e 1,4%, respectivamente. Por outro lado, a indústria reduziu seu consumo em 3,3% no mesmo período, indicando um possível cenário de ajuste ou desaceleração na atividade fabril.

Consumo em Dezembro/2025 por Setor:

  • Residencial: +4,1%
  • Comercial: +0,5%
  • Outros: +1,4%
  • Industrial: -3,3%
Fonte: Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica

Desigualdade Regional no Consumo Energético

Além da análise setorial, o comportamento das regiões brasileiras mostra disparidades marcantes. A região Centro-Oeste liderou com folga a expansão, registrando um crescimento de 5,5% no consumo no mês de dezembro. Na sequência, aparecem Norte (+0,6%), Nordeste (+0,3%) e Sul (+0,2%). No entanto, o Sudeste, maior centro econômico do país, foi a única região a apresentar retração, com uma queda de 0,2% no período.

Este cenário regional diversificado sugere mudanças nos polos de dinamismo econômico e nos padrões de consumo da população. O desempenho excepcional do Centro-Oeste pode estar associado a fatores como expansão agropecuária, crescimento populacional em cidades médias e condições climáticas específicas.

Mercado Livre de Energia Ganha Força

Um dos pontos mais relevantes da atual conjuntura é a contínua expansão do mercado livre de energia. Em dezembro, este ambiente respondeu por 43,8% do consumo nacional, totalizando 20.874 GWh. O segmento registrou um crescimento de 2,7% no volume consumido e um impressionante salto de 28,9% no número de consumidores em relação a dezembro de 2024.

Mais uma vez, a região Centro-Oeste se destacou nesse contexto, com alta de 9,8% no consumo e de 50,4% no número de clientes livres. Desde a abertura do mercado livre para todos os consumidores de alta tensão em janeiro de 2024, milhares de unidades consumidoras migraram. Conforme dados oficiais, 26 mil unidades fizeram a migração em 2024 e outras 19 mil em 2025, indicando uma tendência consolidada de busca por competitividade e flexibilidade na contratação.

Integração Nacional e o Fim dos Sistemas Isolados

Um marco histórico foi alcançado em 2025: a integração de todos os estados brasileiros ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A inclusão de Roraima ao sistema principal, ocorrida em setembro, representou um avanço significativo para a universalização e segurança energética do país. Com a entrada de 209 mil novas unidades consumidoras no SIN, o consumo dos chamados sistemas isolados caiu 48,2% em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2024.

Atualmente, ainda existem aproximadamente 449 mil unidades atendidas fora do SIN em todo o território nacional, sendo pouco mais de 9 mil localizadas em Roraima. Portanto, a integração completa é um processo contínuo, mas o passo dado é considerado fundamental para a eficiência e a governança do setor elétrico brasileiro.

A consolidação do mercado livre e a integração total do SIN são transformações estruturais que redefinem a matriz de contratação e a segurança do fornecimento de energia no Brasil.

Conclusão: Um Setor em Transição

Em resumo, os dados de consumo de energia elétrica em 2025 pintam um retrato de um setor em plena transição. O crescimento modesto na ponta esconde mudanças profundas: a migração em massa para o mercado livre, a integração final da rede nacional e a mudança no protagonismo regional, com o Centro-Oeste assumindo a liderança no crescimento. Consequentemente, entender essas dinâmicas é crucial para consumidores, investidores e formuladores de políticas públicas, que precisam se adaptar a um novo cenário energético no país.