Um Fenômeno Cultural Estrutural
Inicialmente, é crucial reconhecer que a violência de gênero não se resolve com ações pontuais. A cultura do machismo, presente em diversos espaços, precisa ser combatida com a elevação da consciência sobre a opressão e a desigualdade entre homens e mulheres. “Entra na subjetividade, entra nos conceitos do machismo, que muitas vezes consideram a mulher uma propriedade do homem”, pontuou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Esta visão desumanizadora está na raiz de casos que se configuram como verdadeiros atos de horror e perversidade.
Dado Alarmante: 1.470 feminicídios registrados no Brasil no último ano.
O Papel Firme do Estado e das Políticas Públicas
Além disso, a atuação estatal se mostra fundamental para romper o ciclo de violência. A ministra defende que é necessária uma política pública “muito firme, muito forte, eficiente”, que abranja diversas frentes. Portanto, um conjunto integrado de iniciativas nas áreas de educação, ciência e tecnologia, e saúde é essencial para promover a condição feminina e garantir autonomia às mulheres.
- Educação: Para desconstruir estereótipos desde a infância.
- Ciência e Tecnologia: Para desenvolver ferramentas de prevenção e apoio.
- Saúde: Para oferecer acolhimento psicossocial integral às vítimas.
Entretanto, a ministra alertou para retrocessos institucionais recentes, criticando o desmonte de estruturas dedicadas, como o próprio Ministério das Mulheres. “Nós não podemos naturalizar e normalizar um aumento de feminicídio”, afirmou, destacando a necessidade de recompor e fortalecer essas políticas.
O Envolvimento Indispensável de Toda a Sociedade
Por outro lado, o Estado sozinho não é suficiente. O enfrentamento exige um compromisso coletivo. “Nós precisamos cada vez mais levantar a bandeira dessa luta que todas nós temos que nos meter”, defendeu Luciana Santos. Isso significa romper com ditados populares nocivos, como a ideia de que em briga de homem e mulher não se deve meter a colher. Pelo contrário, é preciso “meter a colher” e intervir.
“Quem ama não mata. E a gente não pode achar que isso é natural.”
Luciana Santos, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação
Da mesma forma, os meios de comunicação têm um papel decisivo neste processo, elevando o debate e ajudando a romper com uma cultura histórica de machismo. A promoção de discussões públicas sobre o tema é um passo vital para interromper a naturalização da violência.
Canais de Ajuda e Denúncia
Consequentemente, conhecer e divulgar os canais de proteção é uma ação prática imediata que pode salvar vidas. Portanto, é fundamental que a sociedade esteja informada sobre onde buscar ajuda:
- Ligue 190: Para acionar a Polícia Militar em situações de emergência.
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, funcionando 24 horas por dia para orientação e denúncias anônimas.
- Delegacias Especializadas (DEAMs): Atendimento policial especializado para mulheres vítimas de violência.
Em resumo, o combate à violência de gênero é uma batalha que se trava em duas frentes indissociáveis: a da ação estatal firme, com políticas públicas robustas e eficientes, e a da transformação cultural, que requer o engajamento de cada cidadão e instituição para desnaturalizar a agressão e construir uma sociedade verdadeiramente igualitária.