O Peso do Agro no PIB Nacional

Primeiramente, é fundamental compreender a dimensão da contribuição do campo para a economia. Em 2025, o PIB da agropecuária cresceu 11,6% nos três primeiros trimestres, um desempenho excepcional em comparação com outros segmentos. Este avanço vigoroso foi crucial para sustentar a expansão de 2,4% do PIB total do Brasil no mesmo período, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com análises setoriais, caso o setor agropecuário tivesse registrado crescimento zero em 2025, o avanço da economia brasileira teria sido limitado a apenas 1,6%. Em termos de participação, o agronegócio representou 23,2% do PIB em 2024, movimentando cerca de R$ 2,72 trilhões, segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Participação do Agronegócio na Economia (2024): 23.2% do PIB

Valor Total Movimentado: R$ 2,72 trilhões

Crescimento do PIB Agropecuário (2025 – até 3º trimestre): 11.6%

Fonte: Cepea/CNA e IBGE

Exportações: A Força Geradora de Divisas

Além do impacto interno, o agronegócio é o grande protagonista da balança comercial brasileira. Em 2025, as exportações totais do país somaram US$ 348,6 bilhões. Desse montante, nada menos que US$ 169,2 bilhões, ou 48,5%, tiveram origem no campo, conforme estatísticas do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Essas divisas são vitais para a economia nacional. Elas sustentam a balança comercial positiva e viabilizam a importação de bens essenciais, como medicamentos, equipamentos industriais e tecnologia. A China se mantém como o principal destino, absorvendo 32,68% das exportações do agro brasileiro, seguida pela União Europeia. Os principais produtos da pauta são:

  • Carnes (bovina, suína e de frango)
  • Grãos (Soja e Milho)
  • Café
  • Produtos do complexo sucroalcooleiro (Açúcar e Etanol)

Vantagens Competitivas e Efeito Multiplicador

Por outro lado, especialistas apontam que a predominância do setor está enraizada em vantagens comparativas únicas do Brasil. A extensa área territorial, a possibilidade de múltiplas safras anuais, a abundância de recursos naturais como água e luz solar, e uma longa tradição agrícola criam um ambiente competitivo difícil de ser replicado em outras indústrias.

No entanto, o alcance do agronegócio vai muito além dos números de produção e exportação. O setor é um gigante na geração de empregos, ocupando aproximadamente 28,2 milhões de pessoas. Além disso, possui um poderoso efeito multiplicador na economia. Quando o campo prospera, setores inteiros se beneficiam:

  1. Indústria: de máquinas, fertilizantes e processamento de alimentos.
  2. Serviços: transporte, logística, comércio e serviços financeiros.
  3. Tecnologia: desenvolvimento de agtechs para agricultura de precisão.

Trajetória de Crescimento e Futuro

Portanto, a trajetória do agronegócio brasileiro é marcada por uma transformação histórica. Nas últimas quatro décadas, o país saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um dos maiores fornecedores globais. A produção de grãos, por exemplo, saltou de 38 milhões de toneladas em 1975 para uma projeção que supera 354 milhões de toneladas em 2026.

Da mesma forma, a pecuária expandiu significativamente, com o rebanho bovino mais que dobrando para cerca de 238 milhões de cabeças, o maior rebanho comercial do mundo. Essa modernização contínua, impulsionada por tecnologia e ganhos de produtividade, garante que o setor mantenha seu papel central no desenvolvimento econômico e social do Brasil nos próximos anos.

O segmento é atualmente o motor mais dinâmico da economia nacional, não havendo outro setor com desempenho semelhante em termos de robustez e competitividade internacional.

Economista e pesquisador de universidade federal