Desaceleração Ordenada do Crescimento Econômico

Para começar, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 aponta para um crescimento modesto. Conforme projeções do Banco Central, a expansão deve ficar em torno de 1,6%. Inicialmente, este seria o menor patamar desde a retração de 2020, impulsionada pela pandemia. A combinação de juros elevados, desaceleração global e um momento menos favorável para o agronegócio contribui para este cenário. Entretanto, especialistas destacam que a desaceleração parece “ordenada”, com o mercado de trabalho ainda mostrando resistência.

Previsão do PIB 2026: 1,6% (Banco Central)

Fonte: Relatório de Mercado Focus

Câmbio Estável e a Sombra da Política Externa

Após uma significativa valorização do real em 2025, a previsão para o próximo ano é de estabilidade cambial. O dólar deve operar em uma faixa próxima aos R$ 5,50. No entanto, este equilíbrio depende fortemente de fatores externos, principalmente da política econômica dos Estados Unidos sob a administração Trump e do humor do mercado diante do processo eleitoral brasileiro. Da mesma forma, eventuais interferências geopolíticas podem introduzir choques e flutuações inesperadas.

O Tenso Diálogo entre Política Monetária e Fiscal

A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, permanece no centro de um embate público. Por um lado, o Banco Central mantém o foco no controle inflacionário. Por outro lado, o governo federal pressiona por cortes para estimular a atividade econômica em um ano eleitoral. A expectativa do mercado é que o ciclo de redução dos juros tenha início apenas em março. Esta disputa, conforme analistas, pode limitar a velocidade dos cortes e impactar o nível de emprego, que deve sentir os efeitos retardados da política monetária restritiva.

  • Taxa Selic Vigente: 15% ao ano.
  • Expectativa de Corte: A partir de março de 2026.
  • Principal Tensão: Banco Central vs. Governo Federal.

O Desafio Fiscal em Ano de Eleição Presidencial

Anos eleitorais historicamente apresentam pressões sobre as contas públicas, e 2026 não deve ser diferente. A tendência é de aumento de gastos, enquanto a arrecadação pode desacelerar junto com a economia. Este descompasso eleva o risco de um déficit primário significativo e gera incertezas sobre a trajetória da dívida pública. Paralelamente, 2026 marca o início operacional da Reforma Tributária, um teste crucial que trará desafios práticos para empresas e cidadãos, podendo influenciar o clima econômico.

Crédito: Uma Melhora Cautelosa para Famílias e Empresas

O início do ciclo de baixa da Selic tende a melhorar, ainda que gradualmente, as condições para o mercado de crédito. As taxas de empréstimos e financiamentos devem começar uma lenta trajetória de queda. No entanto, é importante notar que o crédito para pessoas físicas carrega um spread bancário elevado, o que significa que o alívio pode ser menos perceptível no bolso do consumidor final. Programas governamentais específicos podem surgir como medidas pontuais para estimular setores.

“O início do ciclo de corte de juros tende a tornar as perspectivas [do crédito] mais positivas, embora ainda haja incertezas no campo econômico.”

André Nunes, Economista-Chefe do Sicredi

Riscos e Lições do Sistema Financeiro

O caso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente em 2025, deixará reverberações em 2026. O episódio colocou em discussão a credibilidade e os mecanismos de garantia do sistema, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A resolução deste caso será observada atentamente pelo mercado, pois mexe com a confiança institucional e levanta questões sobre risco moral, onde grandes instituições acabam arcando com os problemas de menores.

A Inevitável Influência da Economia Global

Finalmente, o cenário internacional será um determinante chave. A mudança na presidência do Federal Reserve (Fed) dos EUA em maio pode alterar a política de juros global, afetando o fluxo de capitais para economias emergentes como a brasileira. Além disso, a relação comercial bilateral e eventuais movimentos geopolíticos continuarão a ser fontes de volatilidade. Em resumo, a economia brasileira em 2026 caminhará numa corda bamba, equilibrando pressões domésticas eleitorais com os ventos, por vezes turbulentos, da economia global.