O Que os Dados dos Estrategistas Revelam

Primeiramente, uma análise detalhada do JPMorgan Chase aponta que cerca de metade das empresas do índice S&P 500 que forneceram projeções para 2026 superaram as expectativas do mercado. Como a maioria dessas companhias está fora do setor de tecnologia, a tendência indica uma expansão do crescimento para outros segmentos da economia.

Além disso, estrategistas do Goldman Sachs, liderados por Ben Snider, preveem um forte desempenho econômico no primeiro semestre de 2026. Este cenário cria, segundo eles, “ventos favoráveis de curto prazo para ações menores e mais cíclicas”.

Destaque do Mercado: O índice S&P 500 de ponderação uniforme, que dilui o peso das megaempresas, registrou ganho de quase 4%, superando o avanço de cerca de 1% do índice tradicional ponderado por capitalização.

Fonte: Dados compilados por agências de mercado

Os 3 Sinais Concretos da Ampliação

Para entender essa transição, é crucial observar três indicadores principais que sustentam a tese da “economia real” retomando o protagonismo.

  1. Performance Relativa dos Índices: A proximidade no desempenho entre o S&P 500 tradicional e sua versão de igual peso demonstra que empresas menores e de setores diversos estão acompanhando o ritmo das líderes de tecnologia.
  2. Ampliação da Participação no Piso: A parcela de ações negociadas acima de sua média móvel de 200 dias alcançou níveis próximos aos máximos do ano passado, um sinal técnico de saúde e participação ampliada do mercado.
  3. Convergência nas Expectativas de Lucro: A diferença projetada no crescimento dos lucros entre o grupo das “Sete Magníficas” (big techs) e o restante do S&P 500 está diminuindo, nivelando o campo de oportunidades.

Setores e Empresas em Destaque

Consequentemente, os investidores estão reavaliando seus portfólios e voltando a atenção para setores considerados da “velha economia”. Bancos, empresas de bens de consumo básico e mineradoras passam a figurar com mais força nas estratégias.

Dois casos emblemáticos ilustram essa tendência. A Procter & Gamble (P&G) viu suas ações valorizarem quase 9% em um curto período após executivos sinalizarem recuperação nas vendas nos EUA e reafirmarem confiança nas metas anuais. Da mesma forma, a United Airlines registrou alta após prever um ano forte, impulsionada pelo aumento da demanda por viagens aéreas.

“Como a maioria das empresas que apresentaram relatórios está fora do setor de tecnologia, essa tendência sugere uma ampliação do crescimento em outros setores este ano.”

Dubravko Lakos-Bujas, Estrategista do JPMorgan

Oportunidades e Riscos no Horizonte

No entanto, especialistas alertam para a necessidade de cautela. Ben Snider, do Goldman Sachs, observa que as expectativas para 2026 já são elevadas, com projeções de crescimento de 15% nos lucros do S&P 500. Ele também antevê um ritmo econômico mais lento no segundo semestre de 2026 e em 2027, o que “deve limitar a margem de manobra para uma rotação generalizada de ampliação”.

Portanto, enquanto os sinais de curto prazo são positivos para uma recuperação mais ampla e diversificada, o cenário de longo prazo exige monitoramento constante dos fundamentos econômicos e das revisões de expectativas por parte das empresas.

O Que Esperar da Temporada de Resultados

Inicialmente, a atual temporada de divulgação de resultados será um termômetro crucial. Empresas que representam um terço da capitalização total do S&P 500 publicarão seus números, incluindo nomes de setores variados, de Microsoft a Boeing. A orientação futura que essas companhias fornecerem será o próximo grande teste para confirmar se a ampliação do crescimento tem bases sólidas para se sustentar.