Redução de Preços no Consumo Final
Para começar, o consumidor final será um dos principais beneficiados. Inicialmente, a eliminação gradual das tarifas alfandegárias permitirá a entrada de produtos europeus a custos menores. Conforme análises de especialistas em comércio exterior, itens do dia a dia devem registrar quedas de preço significativas.
Produtos com Previsão de Barateamento:
- Vinhos e Queijos: Acesso diferenciado ao mercado interno.
- Azeite e Chocolate: Itens de supermercado com alta importação da UE.
- Veículos Importados: Taxa atual de 35% será zerada em até 15 anos.
- Medicamentos: Categoria que já representa mais de 8% das importações.
Entretanto, é importante destacar que essa redução será gradual. No entanto, para itens como alimentos, o efeito pode ser percebido em médio prazo. “A expectativa é de redução de preços no médio e no longo prazo”, explica Rodrigo Provazzi, consultor em gestão de risco, em análise ao mercado.
Modernização da Produção Nacional
Além disso, os impactos positivos não se limitam às prateleiras. Por outro lado, a indústria e o agronegócio brasileiros terão acesso a tecnologias e insumos mais baratos. Da mesma forma, isso deve reduzir custos operacionais e estimular investimentos em eficiência.
“Máquinas, equipamentos e tratores, assim como produtos químicos, fertilizantes e implementos agrícolas, além de drones e sistemas de agricultura de precisão — como sensores e telemetria — são importados da Europa e devem ter custos menores para os produtores.”
Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da FGV
Consequentemente, setores que dependem de tecnologia de ponta podem se modernizar rapidamente. Portanto, o acordo funciona como um catalisador para aumentar a competitividade da produção nacional em escala global.
Expansão das Exportações e Equilíbrio Comercial
No entanto, o fluxo comercial não é unilateral. Enquanto importamos produtos manufaturados, o Brasil ganha acesso privilegiado a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores europeus. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a rede de comércio criada é avaliada em US$ 22 trilhões.
- Calçados: Tarifas de 3% a 7% na UE serão zeradas em até quatro anos.
- Frutas (ex.: Uva): Taxação de 14% eliminada imediatamente com a vigência do acordo.
- Outros Produtos Agrícolas: Ampliação de vendas com menor risco comercial.
Apesar do crescimento das exportações, especialistas descartam um aumento generalizado de preços no mercado interno. “Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo”, avalia Provazzi. Em resumo, o equilíbrio entre oferta e demanda deve ser mantido.
Impacto Econômico de Longo Prazo
Finalmente, os benefícios macroeconômicos são substantivos. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado. Projeções sugerem que, até 2040, o acordo poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%.
Portanto, o tratado representa muito mais que uma simples facilitação de comércio. Ele é uma ferramenta poderosa para inserção estratégica do Brasil em cadeias de valor globais, com efeitos em cascata que vão do grande produtor ao pequeno agricultor. O resultado final deve ser uma economia mais dinâmica, competitiva e integrada ao mundo.