O Isolamento Como Barreira ao Progresso

Primeiramente, é crucial entender que o fechamento comercial não é uma política neutra. Ao restringir a concorrência internacional, ele encarece insumos essenciais e limita o acesso a bens de capital e tecnologia de ponta. Conforme análises recentes, essa barreira reduz a difusão tecnológica e dificulta a integração do Brasil nas cadeias globais de valor, que são os motores da inovação moderna.

Além disso, a proteção prolongada tende a blindar estruturas produtivas obsoletas. Em um mundo em rápida transformação tecnológica e com forte pressão pela descarbonização, o isolamento exclui o país das trajetórias de mudança estrutural mais dinâmicas. Um trabalho do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) reforça que a política das últimas décadas falhou em promover a modernização da indústria nacional.

O Mito da “Indústria Nascente” Eterna

Por outro lado, parte do debate brasileiro ainda se apoia no argumento clássico de proteger infant industries (indústrias nascentes). O problema, entretanto, está na aplicação permanente e mal desenhada dessa ideia. No cenário nacional, a proteção raramente é temporária ou condicionada a metas claras de ganho de produtividade.

Resultado: Setores supostamente “nascentes” raramente amadurecem, convertendo a proteção em um estado permanente. Isso desestimula a competição e a inovação, travando o dinamismo econômico.

Fonte: Análises do CDPP e literatura econômica internacional.

Integração: Ajustes Necessários e Benefícios Claros

Inicialmente, é preciso reconhecer que a abertura comercial impõe ajustes. Esses custos tendem a se concentrar em grupos pequenos e organizados – empresas e trabalhadores de setores até então protegidos –, que se tornam vocalmente contrários. No entanto, isso não justifica o adiamento indefinido da integração.

Portanto, a solução passa por um gradualismo bem planejado e previsível. Um cronograma claro de redução de barreiras, com tempo para adaptação, pode preservar a direção do movimento sem gerar choques abruptos. O objetivo central deve ser inegociável: maior integração para forçar ganhos de eficiência.

Uma Agenda Urgente para o Brasil

Consequentemente, a estratégia do país não pode ficar refém de processos externos, como o impasse no acordo entre Mercosul e União Europeia. A necessidade de integração é urgente e interna. A lição internacional é clara: economias já abertas buscam se integrar mais; economias fechadas precisam, antes de tudo, começar a se abrir.

Para o Brasil, isso implica:

  • Encarar a abertura comercial como parte central de uma estratégia de crescimento da produtividade.
  • Repensar o Mercosul, transformando-o de uma união aduaneira rígida em uma área de livre comércio mais flexível.
  • Priorizar o acesso a tecnologia e insumos mais baratos, que beneficiam toda a cadeia produtiva.

“Uma integração bem implementada continua sendo a medida mais poderosa para acelerar o crescimento da produtividade e da renda real no Brasil.”

Em resumo, persistir no fechamento é optar por um custo autoimposto. Em um mundo competitivo, a integração não é uma opção, mas uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentado.